Episódios recentes aumentam a pressão sobre duas das principais rotas energéticas do mundo, uma vez que o acesso a Ormuz voltou a ser interrompido após a escalada de hostilidades entre Washington e Teerã O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa sobre o programa de investimentos com vantagens fiscais 'Contas Trump' na Wheeler High School em Marietta, Geórgia, EUA, em 22 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente Donald Trump afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos responsabilizarão o Irã por ataques dos houthis no Mar Vermelho, após o grupo do Iêmen apoiado por Teerã ter atacado dois petroleiros da Arábia Saudita na região. Trump afirmou que, há um ano, os EUA atacaram duramente os houthis em resposta aos disparos do grupo contra navios e à interferência no comércio marítimo. Segundo o presidente americano, desde então, inclusive durante o conflito com o Irã, o grupo vinha agindo de maneira "muito responsável”, postura que ele alega ter mudado ao longo desta semana. “Infelizmente, agora estão começando de novo, tendo disparado contra dois navios da Arábia Saudita na noite passada. Que esta VERDADE sirva para deixar claro que, se fizerem isso novamente, os Estados Unidos responsabilizarão o Irã, uma vez que os houthis são um representante e/ou grupo por procuração do Irã, e uma grande punição militar será imposta ao Irã e, é claro, aos próprios houthis”, escreveu o presidente americano na Truth Social. “Estou muito decepcionado com eles, já que, até agora, vinham agindo de maneira muito profissional e inteligente”, acrescentou. Trump diz que EUA responsabilizarão Irã por ataques dos houthis no Mar Vermelho — Foto: Reprodução/Truth Social Os episódios recentes no Mar Vermelho aumentam a pressão sobre duas das principais rotas energéticas do mundo, uma vez que o acesso ao Estreito de Ormuz voltou a ser interrompido após a escalada de hostilidades entre Washington e Teerã. A perspectiva de uma ampliação do conflito, inclusive, atingiu os mercados de petróleo, com o Brent, referência internacional da commodity, tendo chegado perto de US$ 100 por barril na manhã desta quinta-feira (horário de Brasília). Apesar da pressão militar crescente, até agora não há sinais de que os dois países estejam dispostos a recuar. As ações americanas não conseguiram interromper os ataques iranianos nem levar a liderança linha-dura do Irã de volta à mesa de negociações. Na quarta-feira, a troca de ameaças entre EUA e Irã se intensificou após o presidente Donald Trump ameaçar atacar pontes e infraestruturas de energia da República Islâmica caso novas embarcações fossem atingidas no Estreito de Ormuz. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, por sua vez, respondeu afirmando que qualquer ataque contra o país ou sua infraestrutura provocará uma reação "forte e decisiva", seguindo uma doutrina de "olho por olho". O chefe do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que “a equação desta guerra é clara: ou todos, ou ninguém!”, acrescentando que se Teerã não conseguir vender petróleo na região do Golfo Pérsico, ninguém venderá. A escalada ocorre enquanto os dois países mantiveram ataques recíprocos pelo 12° dia consecutivo. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou ter realizado uma nova rodada de bombardeios contra instalações de armazenamento de drones e mísseis e sistemas de defesa aérea do Irã. Já a Guarda Revolucionária iraniana (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter atacado alvos militares americanos no Kuwait, incluindo uma torre de comunicações, em retaliação a ações semelhantes dos EUA.