Na contramão dos dados, o levantamento mapeou um aumento de 5,4% de mortes por intervenção policial em 2025 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 PM patrulha a Linha Amarela com um fuzil em punho — Foto: Márcia Foletto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 16:53 Brasil atinge menor taxa de assassinatos em 14 anos, mas desigualdade racial persiste O Brasil registrou a menor taxa de assassinatos em 14 anos, com 40.775 vítimas em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No entanto, a desigualdade racial persiste, com 8 em cada 10 vítimas sendo negras. Apesar da queda geral, houve um aumento de 5,4% nas mortes por intervenção policial. O Nordeste e o Norte continuam a ter as maiores taxas de violência, enquanto o Sudeste e o Sul apresentam os menores índices. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil atingiu a menor taxa de assassinatos desde 2012, com um total de 40.775 vítimas em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira. O crime, entretanto, continua expondo uma desigualdade racial: 8 em cada 10 mortos são negros. No ano passado, a taxa ficou em 19,1 registros a cada 100 mil habitantes, número que representa uma queda de 8% em relação a 2024 e 31% se comparado a 2012, primeiro ano da série histórica. Classificada como Mortes Violentas Intencionais (MVI) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a taxa de assassinatos corresponde à soma dos casos de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora. As Mortes Violentas Intencionais tem menor número de registros da série histórica — Foto: Arte/ Fórum Brasileiro de Segurança Pública Quando observado apenas o crime de homicídio doloso, quando existe intenção de matar, há uma redução de 10% dos registros, com uma taxa de 15,4. Em 2021, a norma que orienta a implementação do Sistema Único de Segurança Pública foi revisada pelo Governo Federal e definiu a meta de 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027. Com os dados publicados nesta quinta-feira, a meta foi cumprida com dois anos de antecedência. Para a doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do FBSP, Raquel Souza, a antecipação deve ser levada com cautela. — A boa notícia sobre a antecipação da meta de redução de homicídios no Brasil precisa ser, infelizmente, relativizada. O país precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública brasileira — diz a pesquisadora. Segundo o levantamento, na contramão dos dados gerais sobre mortes violentas intencionais, em 2025 houve um aumento de 5,4% de mortes decorrentes de intervenção policial. Só no ano passado, 6.602 casos foram registrados, representando 1 em cada 6 mortes violentas intencionais. Os negros são os mais afetados em ações policiais, correspondendo a 82% das vítimas, enquanto brancos representam aproximadamente 18%. Quanto às mortes violentas intencionais em geral, 79,7% são negros e a probabilidade de um negro ser assassinado é 3,5 vezes maior que a de um branco, segundo o anuário. Pior taxa no Nordeste Enquanto a taxa nacional de MVI por 100 mil habitantes é de 19,1 vítimas, o Nordeste concentra a pior taxa, com 31,6, seguido pela região Norte, com 25,3. Mesmo abaixo da média do país, as regiões apresentaram queda em comparação ao ano de 2024. — Essa concentração de Mortes Violentas Intencionais nas regiões Norte e Nordeste do país está muito associada, mesmo que não de forma exclusiva, à capacidade de organizações criminosas ampliarem suas forças a partir da captura de territórios, economias e modos de vida. O controle de infraestruturas críticas da economia dessas regiões passa a ser disputado e, com isso, há um aumento da violência letal — explica Souza. Nas melhores posições encontram-se as regiões Sudeste e Sul com as menores taxas, 12,6 e 11,9, respectivamente.