País registrou 6.602 vítimas das polícias em 2025; aumento foi de 55,7% em dez anos, segundo novo Anuário Brasileiro de Segurança 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Operação Contenção foi a mais letal da história do Rio — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 12:38 Brasil 2025: Recorde de Mortes por Intervenção Policial e Debate sobre Uso Excessivo da Força O Brasil registrou em 2025 o maior número de mortes por intervenção policial da última década, com 6.602 vítimas, um aumento de 55,7% em dez anos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O uso excessivo da força por policiais, especialmente em operações como a no Complexo do Alemão, no Rio, levanta preocupações sobre o controle externo da força e a influência do crime organizado. A letalidade atinge principalmente jovens negros, enquanto a Bahia lidera em taxas de violência policial. A saúde mental dos policiais também é alarmante, com suicídios superando as mortes em serviço. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na contramão da redução das mortes violentas intencionais, o Brasil registrou em 2025 o maior número de mortes decorrentes de intervenção policial da última década. Foram 6.602 vítimas, um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior. Se considerada a série histórica, o incremento foi de 55,7% em dez anos. Os dados inéditos estão no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, lançado na manhã desta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo o levantamento, uma em cada seis mortes violentas no país é de autoria de policiais civis ou militares. O padrão de atuação revela que o uso da força letal pelos agentes de Estado não apenas persiste, mas se agrava. E indica que o poder público “tem sido parte do problema e não apenas da solução para a segurança nacional”, destaca o relatório. Mortes violentas intencionais é uma categoria criada pelo Fórum que reúne as vítimas de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora. A Operação Contenção, ocorrida em outubro do ano passado nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, contribuiu para o aumento do indicador. A ação resultou em 122 mortos (dos quais cinco eram policiais), e superou em letalidade o histórico Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos pelas forças de segurança. Sozinha, a operação no Rio respondeu por 15% de todas as mortes por policiais fluminenses no ano e por 2% do total nacional. Segundo a diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, episódios como esse expõem a fragilidade dos mecanismos de controle externo da força. — Essa violência produzida pelas forças de segurança pública está muito relacionada a esses mercados de proteção, a essa lógica de corrupção institucional que está servindo ao mundo do crime. No Rio de Janeiro, isso fica mais evidente porque você tem a polícia fazendo operações em territórios que são do Comando Vermelho, mas não necessariamente em áreas que são do Terceiro Comando Puro. Por que uma facção é combatida e outra não? — questiona. Pelo sétimo ano consecutivo, o Amapá registrou a maior taxa de mortes pelas polícias do país. Em seguida vêm a Bahia, o Sergipe e o Pará. Os mesmos quatro estados tiveram as maiores taxas de mortes pelas polícias também em 2024. O anuário aponta dois desafios centrais para o uso da força letal no Brasil: a falta de ferramentas eficientes de controle, que muitas vezes impede a distinção entre o uso legítimo da força e episódios de execução sem necessidade comprovada; e a cooptação de agentes públicos pelo crime organizado faccionado. Essa infiltração institucional permite que organizações criminosas acessem informações sigilosas e interfiram em decisões operacionais e estratégicas. Isso colocaria em xeque a própria legitimidade do monopólio da força pelo Estado, diz o estudo. A análise dos dados estaduais mostra crescimentos abruptos de mortes decorrentes de intervenção policial, que podem estar associados desde a opções político-institucionais até à pressão de conflitos de facções. O Paraná, por exemplo, teve um aumento de 20% no indicador sem que houvesse uma mudança drástica na dinâmica criminal local, o que sugere uma diretriz institucional pelo confronto. Já o Maranhão, recentemente sob uma nova dinâmica entre facções, viu sua letalidade policial saltar 84%. O perfil das vítimas reforça a manutenção de desigualdades no país: 99,3% são homens e 82% são pessoas negras. O risco de um negro ser morto pela polícia no Brasil é 3,5 vezes superior ao de um branco. Além disso, a letalidade atinge majoritariamente a juventude, com 46% das mortes concentradas na faixa de 20 a 29 anos. Perfil das vítimas da letalidade policial — Foto: Criação O GLOBO Enquanto a violência externa cresce, as instituições enfrentam uma crise interna: o suicídio permanece como a principal causa de morte entre policiais da ativa, superando os confrontos em serviço. Em 2025, o Brasil registrou 110 casos de suicídios de policiais, número quase quatro vezes superior às 29 mortes de agentes ocorridas durante o expediente. Embora tenha havido um recuo em relação a 2024, a tendência de longo prazo é alarmante: um aumento de 37,8% nos registros desde 2017. O anuário ressalta que proteger a vida desses profissionais exige mudar a chave de análise de “onde e como o policial morre” para “como as instituições o fazem adoecer”. É necessário, segundo o documento, combater o assédio moral e a cultura do policial herói. As polícias mais violentas As maiores taxas de letalidade policial em 2025 estão concentradas no Norte e Nordeste. Das dez mais violentas, seis são baianas. O levantamento considera apenas municípios com mais de 100 mil habitantes. Porto Seguro (BA) lidera o ranking, seguida por Eunápolis (BA) e Marituba (PA). A liderança de Porto Seguro e de outras cidades baianas é explicada por sua configuração como corredor logístico estratégico para o escoamento de drogas. Cidades próximas a portos e cortadas por rodovias federais importantes se tornam alvos de disputas territoriais intensas entre facções.
Brasil tem maior letalidade policial da última década: polícias matam 18 por dia
País registrou 6.602 vítimas das polícias em 2025; aumento foi de 55,7% em dez anos, segundo novo Anuário Brasileiro de Segurança












