Em 11 de junho, a Previ pediu uma assembleia extraordinária de acionistas (AGE), realizada ontem virtualmente, para substituir Stieler, que fora indicado pela entidade em 2021, quando a presidia, no governo Jair Bolsonaro. Com o resultado da AGE de ontem, a Previ ficará com apenas uma vaga no Conselho da mineradora, o atual presidente da fundação, Márcio Chiumento. No pedido de junho, a entidade indicou para o lugar de Stieler José Mauricio Pereira Coelho — presidente da Previ de 2018 a 2021 —, mas ele acabou perdendo a eleição para Ieda. A Previ saiu vitoriosa ao apoiar a eleição de Ollie como presidente do Conselho. Conforme o resultado anunciado pela Vale ontem, votaram os donos de 3,5 bilhões de ações (82,4% do capital votante). Ollie foi eleito com o equivalente a 1,977 bilhão de votos. Ieda teve 2,4 bilhões de votos para ser eleita como conselheira, contra 628,5 milhões por Coelho. “É com profundo orgulho, respeito e senso de responsabilidade que assumo a presidência do Conselho”, disse Ollie, em nota à imprensa divulgada pela mineradora. O executivo é português de origem e tem nacionalidade britânica, com formação na África do Sul e décadas de carreira no setor de mineração, em companhias como Anglo American e De Beers. Ollie é conselheiro independente da Vale desde 2021. “Reafirmo o nosso compromisso inabalável com o planejamento estratégico de longo prazo, assegurando a disciplina na alocação de capital e a retomada sustentável e consistente do protagonismo global da Vale. Para a plena execução dessa agenda, o Conselho continuará atuando em permanente convergência e sinergia com a diretoria”, completou o executivo em nota. Passagem turbulenta Apesar do tom conciliatório, o pedido da Previ voltou a espalhar instabilidade na alta administração da Vale, após uma conturbada sucessão do CEO, entre 2023 e 2024. Procurada, a entidade não comentou a decisão da AGE de ontem. A Previ argumentou que a substituição de Stieler seria um movimento em prol de maior independência da governança da mineradora, mas o momento levantou suspeitas. Os mandatos de todos os membros do Conselho da Vale terminam em abril de 2027, quando uma assembleia ordinária (AGO) elegerá uma nova composição. Como a gestão da Previ é escolhida pelo BB, sempre paira o fantasma de interferências do governo federal. Segundo um observador ouvido no fim de junho, sob condição de anonimato, a Previ poderia estar se antecipando à disputa que ocorreria na AGO de 2027, como informou a agência Bloomberg ontem. Com o capital pulverizado, sem controlador, as disputas envolvem antigos acionistas controladores — Previ, Bradespar e Mitsui — e investidores globais que chegaram há menos tempo, como as gestoras americanas Black Rock e Capital. Ao convocar a AGE, em reunião em 19 de junho, o Conselho da Vale recomendou aos acionistas que rejeitassem a destituição de Stieler e indicou o nome de Ieda para concorrer com Coelho. Na votação de ontem, Ieda suplantou Coelho com larga vantagem. O Conselho também aceitou a candidatura de Marcelo Gasparino, atual vice-presidente do colegiado, como concorrente de Ollie. A margem da vitória foi mais apertada, já que Gasparino teve 1,065 bilhão de votos, segundo a Vale. O conselheiro tomou parte nas polêmicas. Destituição do vice-presidente Na reunião do Conselho que convocou a AGE, ele defendeu a permanência de Stieler e divulgou voto em separado na ata do encontro. Numa versão ampliada do voto, afirmou que Stieler informou os demais membros do colegiado sobre “fatos graves de que tomou conhecimento nos últimos anos”, como revelou o colunista do GLOBO Lauro Jardim. A revelação do trecho do voto de Gasparino gerou indisposição, assim como a avaliação, por alguns membros do Conselho, de um possível negócio com a J&F, dos irmãos Batista, também revelado pelo colunista, segundo uma fonte ouvida pelo GLOBO — os membros do Conselho terão de se reunir em breve. Após o pedido da Previ, Stieler também tentou resistir, criticando a posição da entidade que já presidiu, mas renunciou no início do mês. No fim da noite, a Vale informou que o Conselho votou pela destituição de Gasparino, por causa do vazamento de informações confidenciais. A medida terá de ser votada pelos acionistas em assembleia. Alianças, alinhamentos e negociação: como funciona a Vale Em uma empresa sem dono, as decisões estratégicas, como a eleição de conselheiros, são resultado da formação de alianças e alinhamentos, mesmo que de ocasião. Desde o anúncio da Previ, o conselho vive uma disputa intensa para definir quem ficará no comando. Veja quem saiu vencedor.
Quem ganhou e quem perdeu na eleição do conselho da Vale? Veja os capítulos da novela
Mineradora, a maior corporação do país, elegeu novo presidente do colegiado e nova integrante. Confira o que está em jogo









