O presidente do conselho de administração da Vale, Daniel Stieler, diz que a ofensiva da Previ, a fundação de previdência do Banco do Brasil, sobre seu cargo atropela ritos internos e enfraquece a governança da mineradora. Em sua defesa, ele acusa ainda a fundação de abusar de seu poder de voto.

A troca na presidência do conselho da Vale será definida em assembleia no dia 22 de julho. A destituição de Stieler foi pedida pela Previ no último dia 11, sob o argumento de que quer fomentar a independência do conselho para melhorar a governança da mineradora.

Stieler foi eleito para o conselho da Vale em 2021 por indicação da própria Previ, mas recusou o pedido para deixar o cargo antecipadamente —seu mandato vence em 2027. Seus aliados dizem que a troca tem motivação política, o que a Previ nega.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (23), a fundação disse que a proposta de destituição de Stieler "é uma iniciativa alinhada ao seu papel de investidora institucional, comprometida com a fiscalização e a indução das melhores práticas para uma governança sólida, independente e livre de interferências".

Stieler escreveu, em defesa apresentada na reunião do conselho que debateu o tema, na sexta-feira (19), que "questão central é avaliar se uma mudança de liderança neste momento agrega valor superior ao risco inerente de uma transição em um ciclo operacional e estratégico favorável".