O próprio Bond, James Bond, fez isso quando imortalizou o coquetel, primeiro na literatura, depois no cinema, e transformou a bebida servida na taça em V num instrumento de conquista 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Desde o começo de 007, a imagem de James Bond (Daniel Craig) com um copo de martíni na mão é um clássico — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 22:06 Dry Martini: Tradição, Inovação e Personalidade nos Bares O dry martini, imortalizado por James Bond, é um coquetel exigente e cheio de personalidade, refletindo as preferências de quem o aprecia. Cada cliente tem seu próprio segredo para o "martini perfeito", o que faz deles os mais exigentes nos bares. Com variações que vão do clássico ao contemporâneo, o dry martini mistura tradição e inovação, sempre mantendo sua aura esnobe e temperamental. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Dificilmente seria escalada para viver uma bond girl. Além de não ter vocação para ser atriz, o papel exige características que não combinam com meu physique du rôle. A princípio, pode parecer frustrante saber que nunca poderei viver momentos glamourosos ao lado do agente secreto mais famoso e mulherengo do cinema. Na verdade, é um livramento. Teríamos problemas já na primeira cena. Gosto do meu martíni mexido, não batido. Nos meus quilômetros rodados em balcões, adquiri o hábito mexeriqueiro de acompanhar os pedidos alheios. Posso dizer com segurança que o cliente mais chato de todos é o de martini, principalmente de dry martini. Isso porque cada um tem um segredo, um truque, um pulo do gato para a receita perfeita. E não é raro que queiram ensinar a artimanha ao bartender. "O cliente mais chato de todos é o de dry martini. Cada um tem um segredo, um truque, um pulo do gato para a receita perfeita". O próprio Bond, James Bond, fez isso quando imortalizou o coquetel, primeiro na literatura, depois no cinema, e transformou a bebida servida na taça em V num instrumento de conquista. Em Cassino Royale, ele cantou a receita para o bartender: três doses de gim, uma de vodca e meia de Lillet. Bata até ficar muito gelado. Numa cantada barata, o 007 batizou o drinque com o nome da mulher que estava querendo impressionar, Vesper Lynd. Deu certo. Spoilers à parte, um martini pode revelar muito sobre a personalidade de alguém. Enquanto os mais clássicos não abrem mão do gim, os contemporâneos preferem a vodca. Quem enfrenta a vida em seus próprios termos, sem firula, encara um extrasseco, só com um cheirinho de vermute. Quem olha sempre o lado bom da vida gosta dele mais molhado, com um toque vínico aparando as arestas do destilado para dar uma amaciada e descer redondo. Aquele cara mais vaselina, que vive em cima do muro, vai num 50/50 para ficar bem na fita com todo mundo. Uma etapa que divide meninas de mulheres é o quão sujo você gosta do seu dry martini. Há quem perca tempo pedindo ele limpinho, sem a salmoura da azeitona. Pode até ficar mais bonito, mas perde um pouco da presença e carrega até uma leve tristeza de quem já desistiu de tudo. Sou do time do dirty. Quanto mais sujo, melhor, bem salgado, até um pouco nebuloso, com sabor do inesperado. Sempre com três azeitonas, mas isso é pura superstição. Os que não têm crendices podem variar as guarnições de acordo com o estado de espírito: um twist elegante de limão, cebolinhas em conserva para brincar com as texturas ou queijo azul para uma surra de sabores. Na carona da dupla nuggets com caviar que viralizou no último ano, o martíni encontrou um hi-lo para chamar de seu. Uma espécie de lanche feliz de adulto. Servido com fritas, o coquetel conquistou balcões e perfis nas redes sociais e voltou a figurar entre os cinco mais vendidos do mundo, ocupando a quarta posição. A dobradinha é versátil, passa um ar despojado e vai bem como aperitivo antes do jantar ou para fechar a noite. Seja qual for a sua preferência, uma coisa é fato: martínis não aceitam desaforo. Sim, é um coquetel esnobe e temperamental. Não gosta de ir até ninguém; deve ser apreciado apenas no balcão. Das mãos do bartender para as do cliente. Escada no meio do caminho? De jeito algum. Ele não se dá bem com degraus. E, dependendo de quantos beber, você também não.