Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro em evento do agronegócio — Foto: Pierre Duarte/Folhapress Um dia após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fazer declarações com informações falsas sobre as urnas eletrônicas, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (22) que confia no sistema de votação brasileiro e disse que os questionamentos levantados pelo aliado político "não vão levar a lugar nenhum". "Eu confio nas urnas. Se eu não tivesse confiança, eu não estaria disputando a eleição. Foram as urnas que me trouxeram aqui. Então, eu sigo acreditando. Acho que a gente tem que discutir projetos. O importante é a gente discutir projetos, olhar o que o Brasil precisa. Essa aí dessa discussão [sobre as urnas] não vai levar a lugar nenhum. É começar a pensar em projeto", disse Tarcísio a jornalistas, após ser questionado sobre as declarações de Flávio, durante evento promovido pela BandNews TV. Na última terça-feira (21), durante encontro com embaixadores e representantes de 42 países organizado pelo portal The Brazilian Report, em Brasília, Flávio pediu que os países enviem o maior número possível de observadores para acompanhar as eleições brasileiras. O senador afirmou que "não estava questionando o sistema de votação brasileiro", mas associou as urnas eletrônicas utilizadas no país à empresa Smartmatic, citada em um relatório divulgado pelo governo dos Estados Unidos sobre supostas fraudes eleitorais na Venezuela. "Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana", afirmou o senador na ocasião. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contudo, já esclareceu em diversas oportunidades que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ao Brasil nem participou do desenvolvimento ou da programação dos equipamentos utilizados nas eleições. Segundo a Corte, a empresa apenas prestou serviços pontuais de suporte técnico e conexão de dados em contratos anteriores e chegou a disputar uma licitação para fabricação de urnas, mas não foi vencedora. Após o evento, a pré-campanha de Flávio divulgou nota afirmando que o senador não fez ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Segundo o texto, ele apenas mencionou fatos públicos, como a reunião com embaixadores realizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 e um relatório divulgado recentemente por autoridades americanas sobre o processo eleitoral venezuelano. A nota também ressalta que Flávio declarou expressamente que "não está questionando o sistema de votação brasileiro" e defendeu o envio de missões internacionais de observação. Ao final, a pré-campanha afirmou que o senador tem "integral confiança no sistema eleitoral brasileiro" e defende a ampliação das missões de observadores internacionais. As declarações no evento motivaram uma ação da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no TSE. Os advogados do petista acusam Flávio, o ex-deputado federal e irmão de Flávio Eduardo Bolsonaro e os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC) de promoverem um movimento coordenado de desinformação contra o sistema eletrônico de votação e a credibilidade da Justiça Eleitoral. Na ação, a campanha do PT pede a remoção das publicações feitas pelos envolvidos, a proibição de novas postagens que associem as urnas brasileiras à Smartmatic ou divulguem informações consideradas falsas sobre o sistema eleitoral, além do envio de ofícios às plataformas digitais para impedir a circulação desses conteúdos e a aplicação de multa de R$ 30 mil a cada um dos citados. A defesa da deputada Júlia Zanatta afirmou que a ação é "frágil e sem qualquer indício probatório" e classificou a acusação de atuação coordenada como uma "narrativa inexistente e fantasiosa". Segundo o advogado Luiz Magno, a publicação feita pela parlamentar não trata do sistema eleitoral brasileiro, e a defesa se manifestará nos autos. Os demais citados foram procurados pelo Valor