Filho de Bolsonaro atacou o sistema eletrônico de votação brasileiro em reunião com diplomatas, episódio que deve ser analisado pela Justiça Eleitoral 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 22:12 Tarcísio de Freitas defende urnas eletrônicas e critica tarifaço EUA O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou sua confiança nas urnas eletrônicas, contrapondo-se às críticas de Flávio Bolsonaro, que questionou a integridade do sistema eleitoral brasileiro em evento com diplomatas. Tarcísio enfatizou a importância de focar em projetos, não em discussões infrutíferas. Ele também comentou sobre o tarifaço americano, propondo negociações ao invés de medidas retaliatórias, e falou sobre possíveis ajustes fiscais locais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (22) que não concorda com as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, sobre as urnas eletrônicas. Ele sugeriu ao aliado que abandone a discussão "que não leva a lugar nenhum". — Olha, eu confio nas urnas. Até porque, se não confiasse, eu não estaria disputando a eleição. Foram as urnas que me trouxeram aqui. Então, eu sigo acreditando. Acho que a gente tem que discutir projetos, olhar o que o Brasil precisa. É sair dessa discussão que não vai levar a lugar nenhum e começar a pensar em projetos — disse. Ontem, em um evento com representantes diplomáticos de 42 países, em Brasília, o filho de Bolsonaro espalhou dados falsos sobre o sistema eletrônico de votação ao pedir que as nações enviem "a maior quantidade de observadores possível" para acompanhar a lisura do pleito deste ano. Como mostrou o GLOBO, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) classificaram o episódio como grave, e o PT ingressou com uma ação judicial por "fake news", citando um dos processos que tornaram o pai dele, Jair Bolsonaro, inelegível. Governador reage ao tarifaço O comentário de Tarcísio ocorreu após a participação, à noite, de um evento alusivo aos 25 anos do canal BandNews TV, em São Paulo. O governador de São Paulo também falou ali, pela primeira vez, sobre o novo tarifaço americano de 25% às exportações brasileiras. Apesar de o estado ser o mais afetado pela medida no Brasil, ele manteve distanciamento da pauta mesmo com um embate aberto entre Flávio e o presidente Lula (PT) sobre a responsabilidade pelo caso. — A gente tem que deixar de ficar procurando narrativa para entender a coisa. Isso é um prisma comercial, os países estão ali tentando defender os seus interesses. O americano defendendo o interesse dele, e o brasileiro tem que defender o seu interesse também — declarou Tarcísio, isentando de culpa o senador Flávio, cuja família demonstra proximidade com o presidente Donald Trump. O governador afirmou que o caminho passa pelas negociações com as autoridades dos Estados Unidos, descartando a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica — "só agrava a situação e não vamos ganhar nada com isso", nas suas palavras. E salientou que a investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) ocorre desde o ano passado, mas o Itamaraty “não logrou o êxito que poderia ter”. — Obviamente, temos que considerar que muitos produtos estão na lista de exceções, mas ainda há uma gama importante de produtos fora. Isso prejudica frontalmente a economia do Brasil e de São Paulo, em função do nosso agronegócio e do setor de máquinas e equipamentos. Tarcísio alegou que uma negociação direta por parte das empresas, a chamada “paradiplomacia”, seria importante novamente neste caso. Ele relembrou a atuação da Embraer, que teve a cobrança de 10% interrompida em março de 2026 depois de gastar cerca de US$ 80 milhões em tarifas. A respeito do pacote anunciado pelo governo federal, Tarcísio declarou que aguarda os desdobramentos para “adequar as nossas medidas aqui, de maneira que elas caibam também no nosso espaço fiscal”. Uma das ações estudadas é antecipar a liberação de créditos de ICMS, para melhorar o fluxo de caixa dos negócios afetados.