Banco americano — que chegou a ter 93% da companhia antes de sua abertura de capital, em 2021 — reduziu sua fatia, com a meta de zerar a posição De março para cá, o Goldman já se desfez de 72 milhões de ações da Oncoclínicas — Foto: Divulgação Onze anos após ter feito o primeiro investimento na Oncoclínicas, o Goldman Sachs está desembarcando da rede de tratamento para câncer. O banco americano — que chegou a ter 93% da companhia antes de sua abertura de capital, em 2021 — reduziu sua fatia. Hoje, tem apenas 0,7% e está vendendo essa participação residual no mercado, com a meta de zerar a posição, de acordo com fontes. Confira os resultados e indicadores da Oncoclínicas e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 De março para cá, o Goldman já se desfez de 72 milhões de ações, o que equivale a cerca de 1,5% do capital, por mês, com vendas diárias. O desembarque é devido a uma combinação de fatores. Segundo fontes, o Goldman Sachs não tem interesse em permanecer com qualquer fatia por conta da falta de perspectiva de crescimento, possível recuperação extrajudicial e conflitos entre acionistas como a Latache e outros minoritários para realização de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), avaliada em R$ 6 bilhões, quase sete vezes o valor de mercado da Oncoclínicas. Houve ainda a entrada do Banco Master, em 2024 – instituição hoje liquidada em razão de um escândalo financeiro. O Goldman Sachs começou a reduzir sua posição no ano passado devido a uma regra dos Estados Unidos que impede o banco americano de ter uma participação superior a 5% por mais de dez anos em companhias estrangeiras. A entrada na Oncoclínicas ocorreu em 2015, e a exigência era se desfazer dos papéis até março de 2025. No entanto, o banco não conseguiu vender suas ações e optou por um contrato de derivativos (TRS — “total return swap”) com a gestora Centaurus, que, por sua vez, também era investidora na Oncolínicas, com 16%. A gestora americana é investidora nos fundos do Goldman Sachs há muitos anos, inclusive, em outras operações. Ao juntar os papéis dos dois investidores, a gestora passou a deter, em março de 2025, uma fatia de quase 32% na Oncoclínicas, sendo 16% da própria Centaurus e 15,79% do Goldman Sachs. A posição do banco era detida por meio da gestora, mas os direitos econômicos continuaram com o Goldman e os rendimentos compartilhados. Quando o Goldman transferiu sua participação para a Centaurus, abriu-se uma discussão de que a gestora teria ultrapassado a participação de 15%, disparando a “pílula de veneno”, mecanismo que obriga uma OPA. Naquele momento, investidores como a Latache enxergaram uma oportunidade e passaram a montar posição na rede de tratamento. Hoje, a gestora de Renato Azevedo detém 14,59% da Oncolínicas e será uma das maiores beneficiadas caso a OPA seja aprovada. Os minoritários alegam que a Centaurus era um acionista oculto e que, portanto, pode ser classificada como um novo sócio. O Goldman Sachs argumenta que a gestora já era acionista da Oncoclínicas por meio de fundos da casa e que as regras não exigem a divulgação do investidor. O caso está em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A área técnica vetou o pedido de OPA e agora a demanda está sob o escrutínio do Colegiado da autarquia, que não necessariamente acompanha a primeira decisão. Exemplo disso ocorreu recentemente na empresa de energia Brava, em que o Colegiado da CVM deu voto favorável para a realização de uma OPA, após a área técnica ter vetado, como reportou o Pipeline, site de negócios do Valor. Hoje, a Oncoclínicas confirmou que vendeu por US$ 6,5 milhões sua fatia de 50% na clínica de oncologia na Arábia Saudita, que estava em fase de projeto. Os compradores foram o grupo árabe Al Faisaliah e Advanced Drug Company for Pharmaceuticals. As participações societárias do Goldman Sachs ocorrem por meio de três veículos. O primeiro deles, o Josephina I, fundo em que o Goldman entrou na Oncoclínicas, vem reduzindo a participação e hoje está em 0,7%. O outro é o Josephina II, fundo que abrigava os recursos proprietários do Goldman. No site da companhia, está relatada uma participação de 2,85% desse fundo, mas, segundo fontes, essa posição já foi zerada. Há ainda o Josephina III, fundo que já abrigava a participação da Centaurus e passou a deter também os derivativos do Goldman, em 2025. Hoje, a companhia comunicou que o fundo Josephina I vendeu 55 milhões de ações da Oncoclínicas — fatia que era do Goldman e que, até então, estava alocada no Josephina III, fundo gerido pela Centaurus. Na semana passada, a companhia já havia informado que esses papéis haviam sido alienados para o Josephina I, que, por sua vez, vendeu os papéis no mercado. Atualmente, a gestora americana ainda detém 104,5 milhões de ações, mas sua participação no capital da companhia foi reduzida após o aumento de capital, realizado em novembro de 2025, do qual não participou. A fatia atual da Centaurus é de 9,91%. A gestora americana tem ainda sob sua posse 7,9 milhões de ações relacionados aos contratos derivativos (equivalente a 0,7% do capital da companhia) que estão sendo vendidos no mercado. A Latache informou que seu interesse na Oncoclínicas nunca foi a gestão da companhia, mas, sim, o “legal claims” (créditos judiciais) que surgiu com a reestruturação societária de Goldman e Centaurus. O Josephina III informou que a Centaurus já era acionista relevante, com fatia acima de 15%, antes da abertura de capital da Oncoclínicas. “A reorganização de 2024 apenas segregou as ações que Goldman Sachs e Centaurus já detinham em conjunto. A operação não representou a entrada de um novo acionista, não aumentou a participação da Centaurus na companhia e não produziu qualquer impacto sobre a liquidez das ações em circulação ou sobre a dispersão acionária.” A Oncoclínicas disse que está em período de silêncio e não “comentará movimentações acionárias ou especulações de mercado”. O Goldman Sachs não comentou.
Goldman Sachs desembarca da Oncoclínicas após 11 anos
Banco americano — que chegou a ter 93% da companhia antes de sua abertura de capital, em 2021 — reduziu sua fatia, com a meta de zerar a posição







