Lendário nome do cinema brasileiro morreu nesta quarta-feira, aos 98 anos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Produtor Luiz Carlos Barreto, aos 95 anos — Foto: Ana Branco / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 12:56 Luiz Carlos Barreto, ícone do cinema, morre aos 98 anos no Brasil Luiz Carlos Barreto, lendário diretor e produtor do cinema brasileiro, faleceu aos 98 anos. Sua paixão pelo futebol permeou sua carreira, com obras como "Garrincha, Alegria do Povo" e "Isto É Pelé". Barreto capturou a essência do futebol brasileiro, destacando ícones como Garrincha, Pelé e Zico, e mostrando como o esporte se entrelaça com a vida e cultura nacional. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O futebol foi mais que um tema recorrente na obra de Luiz Carlos Barreto, lendário produtor, diretor e fotógrafo do cinema brasileiro, que morreu nesta quarta-feira, aos 98 anos. Ele antecedeu o cinema em sua vida: Barretão foi jogador, fotógrafo esportivo, testemunha de Copas do Mundo, torcedor e participante da política do Flamengo. Depois, transformou toda essa experiência em filmes sobre Garrincha, Pelé, Zico e a paixão clubística dos torcedores brasileiros. A obra fundamental da relação entre Barreto e o futebol é "Garrincha, Alegria do Povo", lançado em 1963 e dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. Ele foi produtor, colaborou no roteiro e participou da equipe de filmagem. Garrincha faz um gol durante o campeonato estadual de 1957, contra o Vasco da Gama. Fotógrafo do GLOBO registra uma imagem histórica do jogador — Foto: Arquivo / Agência O Globo Uma das sequências mais importantes foi registrada em Botafogo 3 x 0 Flamengo, em 15 de dezembro de 1962, diante de mais de 146 mil pessoas no Maracanã. Garrincha marcou os três gols. Para captar o espetáculo, foram distribuídas cinco câmeras pelo estádio: atrás dos gols, nas laterais e em uma posição elevada. Barreto operou uma delas com Glauber Rocha como assistente, conta o livro "Fome de Bola - Cinema e futebol no Brasil", de Luiz Zanin Oricchio. O filme ajudou a modificar a linguagem visual usada para mostrar partidas. Em vez de registrar somente o campo de forma distante, Joaquim Pedro e sua equipe utilizaram lentes de longo alcance para destacar rostos, gestos e reações individuais da torcida. Segundo Barreto, a técnica depois seria incorporada pelo Canal 100, famoso por suas imagens cinematográficas do futebol brasileiro. Pelé, Zico e o retorno a Garrincha Em "Isto É Pelé", de 1974, Barretão dividiu a direção com Eduardo Escorel. O documentário reconstruiu a carreira do camisa 10 por meio de imagens do Canal 100 e dos arquivos da TV Globo, passando pelos títulos das Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970, pelos anos no Santos e por mais de uma centena de gols. Durante décadas, permaneceu como um dos registros audiovisuais mais completos da trajetória de Pelé. "Isto é Pelé", filme de Luiz Carlos Barreto — Foto: Reprodução Em 1978, Luiz Carlos Barreto produziu "Mané Garrincha", curta-metragem dirigido por seu filho Fábio Barreto. Diferentemente do filme de 1963, marcado pelo auge do jogador, esta obra mostrava Garrincha depois da fama, enfrentando o declínio profissional e pessoal. Barreto também produziu "Uma Aventura do Zico", lançado em 1999 e dirigido por Antonio Carlos da Fontoura. Voltado para o público infantil, o filme apresentava Zico interpretando a si mesmo em uma trama envolvendo o sequestro e a clonagem do ex-jogador. Zico em uma cena do filme "Uma aventura do Zico", de Luiz Carlos Barreto — Foto: Reprodução / Adoro Cinema A rivalidade vira comédia romântica Outro projeto importante para Barretão foi "O Casamento de Romeu e Julieta", dirigido por Bruno Barreto e lançado em 2005. O filme adapta uma história de Mario Prata sobre o romance entre uma palmeirense fanática e um corintiano que, para conquistar a família da namorada, finge torcer pelo rival Palmeiras. Luiz Carlos Barreto considerava esse seu filme de futebol preferido porque a paixão esportiva não aparecia separada da vida cotidiana. A rivalidade interferia no namoro, na família, nas amizades e na identidade dos personagens. Para reconstruir as partidas, a produção utilizou jogadores das categorias de base do Palmeiras. As jogadas foram ensaiadas durante aproximadamente uma semana, com participação do ex-atacante Cláudio Adão e de Paula Barreto, filha de Barretão. A experiência reforçou uma convicção do produtor: partidas reais são extremamente difíceis de reproduzir, porque o jogo possui movimentos, improvisos e emoções que não obedecem facilmente a um roteiro. Torcedor e participante da vida política do Flamengo Barretão se definia como torcedor do Flamengo, embora também tivesse simpatia pelo São Paulo quando estava na capital paulista. Ainda jovem, participou do 24 de Maio Futebol Clube, equipe na qual, segundo seu próprio relato, acumulou funções de jogador, técnico e presidente. Ao se mudar para o Rio de Janeiro, em 1947, entrou para as categorias de base do Flamengo por intermédio de um primo. Barretão também afirmava ter sido chamado, em 1948, para a seleção brasileira amadora que deveria disputar os Jogos Olímpicos de Londres. Segundo ele, a viagem acabou não acontecendo por falta de recursos. Depois do Flamengo e do serviço militar, ainda tentou jogar no Canto do Rio, de Niterói. Abandonou definitivamente a tentativa de carreira por volta de 1950 Na década de 1970, ele participou da formação da Frente Ampla pelo Flamengo, grupo que reuniu jornalistas, publicitários, empresários e figuras da cultura em torno de uma proposta de modernização administrativa do clube. O movimento apoiou a primeira eleição de Márcio Braga e chegou ao poder em 1977, antes do período mais vitorioso da história rubro-negra, marcado pela geração de Zico e pelos títulos brasileiros, da Libertadores e do Mundial. Produtor Luiz Carlos Barreto — Foto: Leo Aversa / Agência O Globo