Produtor assinou mais de 80 filmes em seis décadas de carreira e ajudou a transformar clássicos nacionais em referências dentro e fora do país 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Terra em Transe (1967) — Foto: Reprodução O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira um de seus maiores nomes. Morto aos 98 anos, o produtor, diretor, fotógrafo e roteirista Luiz Carlos Barreto deixa um legado de mais de 80 produções que ajudaram a moldar a história do audiovisual nacional. Conhecido como Barretão, ele esteve por trás de clássicos do Cinema Novo, de adaptações literárias consagradas e de filmes que levaram o Brasil ao Oscar, consolidando uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à produção cinematográfica. Os primeiros clássicos do Cinema Novo A carreira de Barretão começou ainda no fotojornalismo, mas foi atrás das câmeras que entrou para a história. Como diretor de fotografia, assinou dois dos filmes mais importantes do Cinema Novo: Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, adaptação do romance de Graciliano Ramos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. Em 1963, fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, responsável por transformar em realidade obras que se tornaram referência do cinema nacional, como Garrincha — Alegria do Povo (1963), A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965), O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969) e Brasil Ano 2000 (1969). O maior sucesso de público Foi como produtor que Luiz Carlos Barreto conquistou seu maior reconhecimento. Entre mais de 80 produções realizadas ao longo de seis décadas, o maior fenômeno foi Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), dirigido por Bruno Barreto e baseado na obra de Jorge Amado. O longa foi assistido por quase 11 milhões de espectadores e permanece entre as maiores bilheterias da história do cinema brasileiro. As produções que levaram o Brasil ao Oscar Ao lado da esposa, Lucy Barreto, Barretão consolidou a LC Barreto como uma das produtoras mais importantes do país. Foi sob seu comando que nasceram O Quatrilho (1995), dirigido por Fábio Barreto, e O Que É Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Outro título marcante foi Bye Bye Brasil (1980), de Cacá Diegues, exibido em sessão especial no Festival de Cannes em 2024 durante as comemorações dos 60 anos da produtora. Encontro da família Barreto, importante dinastia do cinema brasileiro 1 de 8 Produtor Luiz Carlos Barreto, aos 95 anos — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo 2 de 8 Produtora Lucy Barreto, aos 90 anos — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Produtora Paula Barreto ao lado do irmão Bruno Barreto, diretor — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo 4 de 8 Na foto, sentados na cadeira, o casal Luiz Carlos e Lucy Barreto. Em pé, atrás, Marcelo Santiago, e os filhos Paula e Bruno Barreto. Nas laterais, as netas Julia (cabelo curto) e Helena, filhas de Fabio e Bruno — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo X de 8 Publicidade 5 de 8 Luiz Carlos Barreto, o Barretão, na rede de seu apartamento, junto ao jardim de Lucy — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo 6 de 8 Documentarista Julia Barreto, filha de Fábio Barreto e neta de Lucy e Luiz Carlos Barreto — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo X de 8 Publicidade 7 de 8 Fotógrafa Helena Barreto, filha de Bruno Barreto e neta de Lucy e Luiz Carlos Barreto — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo 8 de 8 Na foto, sentados na cadeira, o casal Lucy e Luiz Carlos Barreto. Em pé, atrás, Marcelo Santiago, e os filhos Paula e Bruno Barreto. Ao chão, as netas Julia (cabelo curto) e Helena, filhas de Fabio e Bruno — Foto: Ana Branco / Agencia O Globo X de 8 Publicidade Luiz Carlos e Lucy Barreto trouxeram filhos e netos para dentro da produtora LC Barreto Um legado para o cinema brasileiro Mesmo nos últimos anos de vida, Barretão permaneceu ativo. Em 2022, participou da produção de Deus Ainda É Brasileiro, continuação do sucesso de Cacá Diegues ainda inédita. Sua trajetória também foi retratada no documentário Barretão (2019), de Marcelo Santiago, que revisitou sua relação com o jornalismo, o cinema e o futebol. Ao longo da carreira, Luiz Carlos Barreto ajudou a revelar talentos, viabilizou filmes que se tornaram patrimônio cultural do país e consolidou uma produtora que atravessou gerações. O legado permanece vivo não apenas na filmografia que ajudou a construir, mas também na própria família, que seguiu seus passos no audiovisual. Como resumiu o próprio Barretão em sua última entrevista ao GLOBO: — O vírus do cinema contaminou toda a família. Produtor, diretor e fotógrafo, Luiz Carlos Barreto faleceu na madrugada desta quarta-feira (22), aos 98 anos. Barretão estava com a saúde debilitada desde março de 2024, quando sofreu uma queda visitando seu estado natal, o Ceará, para uma homenagem. Ele estava internado desde terça-feira. O velório será na quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, das 11h às 14h.
Do Cinema Novo ao Oscar: relembre as obras que fizeram de Luiz Carlos Barreto um gigante do audiovisual
Produtor assinou mais de 80 filmes em seis décadas de carreira e ajudou a transformar clássicos nacionais em referências dentro e fora do país












