Em 1995, o produtor cearense Luiz Carlos Barreto, morto nesta quarta (22) aos 98 anos, disse à Folha que o cinema brasileiro sempre teve recursos técnicos e que a "pobreza" explorada pelo cinema novo foi uma opção estética.
"A Vera Cruz, por exemplo, tinha as grandes câmeras, os grandes refletores. O Herbert Richers tinha um parque de equipamentos fantástico. Além disso, havia muitos bons técnicos", afirmou Barretão, como era conhecido o produtor que trabalhou em filmes como "Vidas Secas" e "Terra em Transe", duas das obras que chegou a fotografar.
"Foi uma opção usar o despojamento como linguagem. Não era falta de recursos. A única área em que ficávamos para trás era a montagem. As montadoras eram pré-históricas. Mas o que estava em questão na época era o uso de câmeras mais leves, dos sons mais diretos, de falsear o menos possível a realidade. Foi realmente uma escolha estética."
Leia abaixo trechos da entrevista com o produtor que marcou o cinema novo e a retomada da produção brasileira, com obras como "O Quartilho" e "O Que É Isso, Companheiro?".
O efeito da capa de "O Cruzeiro" com a foto de "Barravento" [filme de Glauber Rocha] deve ter sido muito estimulante para o Cinema Novo, que começava a surgir naquele momento. Foi. O Glauber ficou muito mobilizado e me escreveu: "Isso marca um novo tempo, quebramos a hegemonia de Hollywood". E veio para o Rio. Um dia, chegou lá em casa e me disse: "Você tem que fazer um roteiro do assalto ao trem pagador". Era um episódio criminal famoso da época. Acabei escrevendo o roteiro com o Roberto Farias.










