Publicações como USA Today, Economist e Reuters estudam bloquear robô de rastreamento da gigante de tecnologia e impor limites para uso de conteúdo para treinamento de IA, segundo reportagem do WSJ 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Empresas de mídia digital têm expressado frustração com o Google, à medida que as ferramentas de inteligência artificial substituem as buscas tradicionais — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 10:02 Editoras e agências reavaliam parcerias com Google por uso de IA Grandes editoras e agências, como The Economist e Reuters, estão reconsiderando acordos com o Google devido ao uso de IA nas buscas, que reduz o tráfego e receita dos sites. O Reddit cogita bloquear acesso do Google para treinamento de IA. Empresas como USA Today e Politico também avaliam limitar robôs de busca. O Google, entretanto, defende que suas ferramentas ainda geram bilhões de cliques semanalmente. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Vários órgãos de imprensa, como USA Today, Politico, The Economist, People e Reuters, estão avaliando como ou se continuarão trabalhando com o Google, à medida que as ferramentas de inteligência artificial substituem as buscas tradicionais, segundo reportagem do jornal americano The Wall Street Journal. E mais: citando fontes familiarizadas com o assunto, o WSJ acrescenta que o Reddit, a plataforma de fóruns e discussões que abastece uma grande parcela dos resultados de busca do Google, já discute a possibilidade de bloquear o acesso da gigante da tecnologia ao seu conteúdo para uso em inteligência artificial. De acordo com a publicação, a iniciativa faz parte de um coro crescente de empresas de mídia digital que têm expressado frustração com a gigante de buscas, controlada pela Alphabet. Elas afirmam que o mecanismo de busca deixou de ser uma fonte confiável de visitantes, especialmente depois que o Google ampliou nos últimos meses seus recursos de busca baseados em inteligência artificial, o que vem transformando a forma como as pessoas fazem perguntas. Elas alegam ainda que a IA reduz o tráfego proveniente das buscas e abala os modelos de receita das editoras. O jornal lembra que, em 2024, o Reddit fechou um acordo avaliado em US$ 60 milhões por ano que autorizou o Google a utilizar o conteúdo da plataforma para treinar seus modelos de IA. Agora, porém, com as respostas geradas por IA reduzindo o número de cliques direcionados a sites externos, executivos da empresa passaram a questionar quais são as vantagens de continuar fornecendo esse material ao Google. O contrato está prestes a expirar, e as duas empresas discutem uma possível renovação, acrescenta o WSJ. A preocupação é compartilhada por um número crescente de empresas de mídia. Para David Buttle, CEO da consultoria de mídia DJB Strategies, a mudança representa uma ameaça à sobrevivência de diversos segmentos do setor editorial. — Para algumas categorias de publishers, trata-se de uma questão existencial. Por isso, eles começam a considerar medidas mais drásticas — afirmou Buttle ao Wall Street Journal. Bots já são metade do tráfego na web De acordo com a Cloudflare, os bots já respondem por mais da metade de todo o tráfego da internet. Parte deles coleta conteúdo de sites para treinar sistemas de IA; outros rastreiam páginas para responder rapidamente às perguntas dos usuários ou comercializam essas informações com terceiros. Nesse cenário, alerta o jornal, bloquear esses robôs tornou-se uma tarefa cada vez mais difícil, à medida que eles evoluem e encontram novas formas de contornar as restrições. O jornal ressalta que as editoras até podem impedir que o Google utilize seus conteúdos especificamente para o treinamento de modelos de inteligência artificial. No entanto, acrescenta, se quiserem continuar aparecendo tanto nos resultados tradicionais do buscador quanto nas respostas produzidas por IA, precisam permitir que os robôs da empresa continuem rastreando suas páginas. Essa dependência tem ampliado o debate sobre a relação entre os veículos de comunicação e as grandes plataformas de tecnologia. De acordo com a reportagem, a USA Today, empresa que controla o jornal de mesmo nome e centenas de publicações nos Estados Unidos, avalia bloquear o rastreador do Google aos seus sites. Se a medida for adotada, o conteúdo da empresa deixará de aparecer tanto nos resumos produzidos por inteligência artificial quanto nos resultados tradicionais do buscador. Dados da consultoria Semrush mostram que o tráfego orgânico proveniente de pesquisas no Google para a edição nacional do USA Today despencou quase 50% entre junho de 2025 e junho deste ano. — Chegou o momento de traçar um limite. Já basta — afirmou o CEO da USA Today, Mike Reed, ao WSJ, acrescentando que a empresa está disposta a bloquear o acesso do Google caso a queda nas visitas vindas do buscador continue. O Google, por sua vez, afirma que suas ferramentas de busca baseadas em inteligência artificial continuam direcionando "bilhões de cliques para a web todas as semanas" e atendem às novas formas de navegação dos usuários. Em nota enviada ao WSJ, o Google disse que os recursos de IA destacam links para sites, ajudam criadores e editoras a ampliar sua audiência e oferecem mecanismos para que proprietários de páginas controlem a forma como seu conteúdo é utilizado. Bloqueio aos robôs O Wall Street Journal conta que, no Politico, controlado pelo grupo alemão Axel Springer, também cresce o debate sobre limitar o acesso do Google e de outros robôs às reportagens gratuitas. Entre as alternativas em discussão está a criação de uma barreira de cadastro, exigindo que os leitores façam login antes de acessar o conteúdo, segundo fontes familiarizadas com as conversas. A Reuters, que, assim como o Politico, obtém boa parte de sua receita com serviços voltados ao mercado corporativo, também estuda bloquear o robô de rastreamento do Google em seu produto de notícias destinado ao público em geral. A discussão ocorre em meio à queda contínua do tráfego vindo do mecanismo de busca. — Estamos analisando cuidadosamente os custos e benefícios econômicos de permanecer nas buscas tradicionais em comparação com os resumos gerados por inteligência artificial — afirmou ao WSJ o presidente da Reuters, Paul Bascobert. O jornal lembra que, em junho, o Google anunciou que cumpriria uma decisão da autoridade reguladora do Reino Unido que permite às editoras escolher se desejam participar dos recursos de IA da plataforma sem perder espaço nos resultados tradicionais de pesquisa. A Reuters informou que testará essa mudança inicialmente no mercado britânico antes de expandi-la para proprietários de sites em outros países, mas não divulgou um cronograma para a implementação global. Desde a decisão do regulador britânico, a revista The Economist também vem debatendo a possibilidade de aderir a esse modelo. Segundo Josh Muncke, vice-presidente de IA generativa da publicação, contou ao WSJ, a principal questão é avaliar as consequências de permanecer ou sair dos recursos de busca com inteligência artificial. Apesar disso, abandonar completamente o Google não está nos planos da empresa, acrescenta o jornal. — O Google continua sendo uma força muito poderosa. O tráfego pode oscilar e estar em queda, mas ainda é tráfego — disse Muncke. Segundo a reportagem do WSJ, a revista americana People conseguiu compensar parte da perda de audiência oriunda do Google ampliando receitas com eventos, redes sociais e aplicativos. No primeiro trimestre deste ano, apenas 25% do tráfego da empresa veio do buscador, contra mais da metade registrada dois anos antes. Dona de marcas como People, Better Homes & Gardens e Travel + Leisure, a companhia estuda formas de tornar seu conteúdo mais acessível aos robôs autorizados, enquanto avalia os próximos passos da parceria com o Google. — Bloquear completamente esses robôs é, sem dúvida, uma possibilidade real — afirmou o diretor-presidente da People, Neil Vogel. Anúncios invisíveis para os humanos A revista Time, por sua vez, adotou uma estratégia diferente para lidar com a ascensão da inteligência artificial, diz o WSJ. A empresa está criando anúncios em formato exclusivamente textual, invisíveis para os leitores humanos, mas potencialmente identificáveis pelos robôs que rastreiam conteúdo para sistemas de IA. A expectativa é que ferramentas como o AI Overviews, do Google, e outros chatbots incorporem informações desses anúncios ao responder perguntas dos usuários, ampliando a exposição das marcas anunciantes. Segundo resumiu Mark Howard, diretor de operações da Time, agora existem dois públicos distintos e, por isso, é preciso pensar em como oferecer a melhor experiência possível para as pessoas quando elas visitam nossos sites, mas também em como tratar os robôs como uma segunda audiência. O Wall Street Journal acrescenta que, ao mesmo tempo em que enfrenta críticas das editoras, o Google fez acenos ao setor. A gigante da internet tem um programa que remunera mais de 200 veículos de comunicação pelo acesso ao seu conteúdo para treinamento de sistemas de IA. Também passou a permitir que os usuários escolham suas fontes de notícias preferidas para personalizar os principais destaques exibidos nas buscas, medida teria supostamente potencial de elevar o fluxo de visitantes para esses sites.
'Muralha de IA' do Google leva jornais e agências a avaliarem romper com big tech
Publicações como USA Today, Economist e Reuters estudam bloquear robô de rastreamento da gigante de tecnologia e impor limites para uso de conteúdo para treinamento de IA, segundo reportagem do WSJ








