Decisão responde ao temor de que a gigante de tecnologia use sua base de usuários para obter vantagem no mercado de inteligência artificial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A decisão responde ao temor de que o Google use a enorme base de usuários do Android — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 13:02 UE Impõe ao Google Abrir Acesso de IA no Android para Concorrentes A União Europeia determinou que o Google deve permitir que empresas rivais de inteligência artificial acessem usuários de smartphones Android, respondendo a preocupações de que o Google possa usar sua base para obter vantagem no mercado de IA. A decisão, parte da Lei de Mercados Digitais, visa garantir concorrência justa e é um reflexo da crescente fiscalização sobre grandes empresas de tecnologia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Google foi obrigado por reguladores da União Europeia, nesta quinta-feira, a remover restrições que limitam a forma como empresas rivais de inteligência artificial podem alcançar usuários de smartphones Android, em um sinal do aumento da fiscalização governamental sobre o crescente mercado de IA. A decisão responde ao temor de que o Google use sua enorme base de usuários do Android — sistema operacional presente em cerca de 60% dos smartphones da União Europeia — para obter vantagem no mercado de inteligência artificial e prejudicar concorrentes como OpenAI e Anthropic. À medida que o uso diário da inteligência artificial se expande pela sociedade, uma das principais disputas comerciais passa a ser o acesso aos usuários por meio de seus smartphones. Empresas de IA acreditam que, quanto mais profundamente um serviço de inteligência artificial estiver integrado ao dispositivo móvel de uma pessoa — incluindo e-mail, fotos e outros aplicativos —, mais o chatbot poderá atuar como um assistente pessoal. Isso inclui, por exemplo, pedir ao chatbot que solicite um carro por aplicativo, sugira uma resposta para uma mensagem de texto ou forneça informações sobre um local visitado recentemente. Google e Apple são vistos como empresas com uma grande vantagem, já que desenvolvem os sistemas operacionais de smartphones mais utilizados no mundo, o que lhes permite definir as regras para desenvolvedores de aplicativos que desejam alcançar usuários de dispositivos móveis. Nesta quinta-feira, reguladores da União Europeia determinaram que o Google deverá garantir às empresas rivais de IA "condições de igualdade", inclusive no acesso a comandos de voz e à capacidade de executar ações em aplicativos. A decisão é vinculante, e a empresa deverá implementar as mudanças até julho do próximo ano. O Google também foi obrigado a começar a compartilhar dados anonimizados de seu mecanismo de busca com concorrentes, incluindo desenvolvedores de chatbots de IA, até janeiro, em uma tentativa de aumentar a concorrência. O Google não informou se pretende contestar as decisões na Justiça. Mas a empresa afirmou que os reguladores europeus correm o risco de criar novas vulnerabilidades de segurança e privacidade ao permitir que desenvolvedores externos tenham acesso a informações sensíveis armazenadas nos smartphones ou no histórico de buscas dos usuários. "As decisões de hoje correm o risco de comprometer importantes mecanismos de proteção de privacidade e segurança para milhões de europeus", afirmou Kent Walker, diretor jurídico do Google, em comunicado. A União Europeia há muito tempo é considerada a reguladora mais rigorosa do mundo em relação às práticas comerciais das grandes empresas de tecnologia e agora amplia sua fiscalização para o setor de inteligência artificial. As autoridades enxergam a IA como a nova porta de entrada para que as pessoas acessem serviços digitais e o mundo online. A Lei de Mercados Digitais (Digital Markets Act - DMA), legislação europeia de concorrência, exige que grandes empresas de tecnologia, como Google e Apple, tornem seus produtos interoperáveis. Isso significa que desenvolvedores externos devem poder oferecer assistentes digitais de IA concorrentes do Gemini, do Google, e da Siri, da Apple. A aplicação da lei tem gerado atritos. Em junho, a Apple informou que adiaria o lançamento de novos recursos de inteligência artificial para a Siri na União Europeia por não ter conseguido chegar a um acordo com os reguladores. Ao mesmo tempo, empresas de IA vêm adotando medidas para desenvolver seus próprios dispositivos, reduzindo a dependência das plataformas da Apple e do Google. No ano passado, a OpenAI contratou Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, para liderar seus esforços no desenvolvimento de novos produtos de hardware centrados em inteligência artificial. Na semana passada, a Apple processou a OpenAI, acusando a empresa de roubar segredos comerciais. A OpenAI negou as acusações.