Eleições 2026
Na medida em que se aproximam as convenções partidárias que confirmarão os candidatos às eleições de outubro próximo, já é possível vislumbrar um padrão nas movimentações de Flávio Bolsonaro. Ele parece, porém, paradoxal: quanto mais seu nome retroage nas pesquisas de intenção de voto, mais Flávio apela para intervenções do governo de Donald Trump, o que tem, por sua vez, gerado um efeito eleitoral prejudicial para ele e positivo para seu concorrente, o presidente Lula. Como explicar a insistência nessa aparente contradição?
Quando nos deparamos com um paradoxo persistente, o que normalmente temos que fazer é mudar o nível de análise sobre a situação. E Flávio Bolsonaro herdou do pai um modus operandi que tem uma lógica própria, mas que nem sempre fica clara quando olhamos apenas a partir da lógica convencional da política. Como venho argumentando, a extrema direita no Brasil, assim como em outros países, funciona sempre em dois níveis. Além do político, há um outro, mais fundamental, para o qual aproprio um termo da “nova direita” francesa: a metapolítica.
Funciona assim. A frente política, que se mantém nos holofotes da imprensa e das redes sociais, é o “plano A”, que age, ou pelo menos finge agir, dentro das normas: ocupando partidos, disputando eleições, participando do debate público. É a face que boa parte da imprensa chama de moderada: o bolsonarismo que “come com garfo e faca”, que a direita liberal e financeira crê conseguir controlar. Já a frente metapolítica é o “plano B” : golpista, disruptivo, conspira nos bastidores da política e nas sombras dos espaços digitais fechados da internet.







