A decisão é aguardada porque definirá se essa alíquota será cumulativa à tarifa adicional de 25% já imposta pelos Estados Unidos sobre produtos industriais brasileiros na semana passada O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (21) que a tarifa adicional de 12,5% ao Brasil e a outros 59 países por supostas falhas no combate à entrada de bens produzidos com trabalho forçado deverá ser anunciada pelos Estados Unidos na próxima sexta-feira (24). A decisão é aguardada porque definirá se essa alíquota será cumulativa à tarifa adicional de 25% já imposta pelos Estados Unidos sobre produtos industriais brasileiros na semana passada. Segundo o ministro, o governo pretende aguardar essa definição antes de avaliar os próximos passos nas negociações com Washington e eventuais contrapartidas que poderão ser oferecidas. "Vamos aguardar, porque temos na sexta-feira um momento decisivo e no dia 29 outro momento decisivo quando entram em vigor os 25% para os bens que estão em trânsito. Vamos passar a ter um outro momento para tomar decisão", afirmou à imprensa. A alíquota de 12,5% substituiria a tarifa geral de 10%, cuja aplicação foi suspensa pela Justiça americana. “Estamos na expectativa de saber se eles [12,5%] serão cumulativos com os 25% [anunciados na semana passada] ou não. Conseguimos quando saiu a decisão dos 25% excluir a outra seção e não houve a acumulação. Agora, só saberemos na sexta-feira. A partir daí, é que se desvenda um novo cenário”, acrescentou o ministro. Elias Rosa realizou nesta terça-feira uma rodada de reuniões com entidades dos setores afetados pela imposição da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pela gestão de Donald Trump. A sobretaxa é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e entra em vigor nesta quarta-feira (22). O vice-presidente Geraldo Alckmin também se reuniu com alguns setores. Segundo ele, as empresas demandam acesso a crédito, o que levará a uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, além de instrumentos como o drawback — sistema do Mdic que isenta, suspende ou restitui impostos pagos na aquisição de bens e insumos usados na produção de bens que serão exportados. Alckmin também destacou que a ApexBrasil terá papel importante na busca por novos mercados e afirmou que o eventual uso da Lei da Reciprocidade não teria caráter de retaliação. Elias Rosa disse ainda que não há prazo para o anúncio de novas medidas de apoio às empresas. Ele afirmou que o governo está em fase de coleta de informações junto aos setores afetados para construir um diagnóstico o mais próximo possível da realidade, conforme orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A partir dos números, vamos levar quadro para o presidente Lula”, afirmou. O ministro disse que é possível retomar as negociações com os Estados Unidos, mas ressaltou que o Brasil também precisa acelerar a diversificação de mercados. Nesse contexto, informou que viajará à Índia em missão oficial para ampliar as relações comerciais com novos parceiros. O setor brasileiro de máquinas é um dos que têm potencial para expandir as exportações para o mercado indiano. Márcio Elias Rosa — Foto: Wenderson Araujo/Valor
Ministro diz que EUA devem anunciar taxação adicional de 12,5% na sexta-feira
A decisão é aguardada porque definirá se essa alíquota será cumulativa à tarifa adicional de 25% já imposta pelos Estados Unidos sobre produtos industriais brasileiros na semana passada








