Taxa de 25%, exclusiva para produtos brasileiros, entra em vigor nesta quarta-feira, mas governo americano deve anunciar novas sobretaxas para vários países ainda nesta semana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Os ministros Marcio Elias (Mdic) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) caminham ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 18:33 Trump aplica nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros por práticas trabalhistas O governo Lula prevê que os EUA anunciarão uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, além da taxa de 25% que entra em vigor nesta quarta-feira. A medida é parte de uma estratégia de Donald Trump contra produtos ligados ao trabalho forçado. O Brasil está entre os investigados, acusado de importar bens de países sem boas práticas trabalhistas. A decisão afeta 60 países e cinco produtos brasileiros. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O governo Lula considera certa a aplicação de uma nova taxa de 12,5% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos ainda nesta semana. Já a taxa de 25% que irá recair sobre itens vendidos pelo país aos EUA entra em vigor nesta quarta-feira. Nesta terça-feira, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o gestão Donald Trump deve anunciar tarifas para aproximadamente 60 países, sob a acusação de importar bens produzidos com trabalho forçado. O Brasil é uma das nações investigadas pelo órgão americano por essa suposta prática. Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos. — Foto: Graeme Sloan/Bloomberg Na avaliação do governo brasileiro, essa taxa de 12,5% seria utilizada pelos EUA para driblar restrições impostas pela Suprema Corte daquele país, que derrubou a tarifa de 10% aplicada ao Brasil e a diversos outros países no ano passado. Por determinação do Judiciário americano, essa sobretaxa de 10% perde validade nesta semana. Com sua derrubada, a tarifa de 12,5% passaria a substituí-la. — A investigação do trabalho forçado termina na próxima sexta-feira. Aí vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão. A expectativa é que venha para todos. Essa Seção 301 do trabalho forçado os EUA criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em entrevista coletiva na semana passada. Além disso, auxiliares do presidente Lula relatam que uma eventual reversão da decisão do governo Trump era considerada mais provável em relação à tarifa de 25% anunciada na semana passada do que neste caso. A investigação do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) aponta que o Brasil compra produtos de países que não adotam boas práticas trabalhistas. Dessa forma, os produtos chegariam ao Brasil a preços mais baixos, causando uma concorrência desleal com o mercado americano. Ao todo, 60 países foram alvo dessa investigação sobre trabalho forçado. Em entrevista à CNBC nesta terça-feira, Jamieson Greer confirmou que os EUA anunciarão essas tarifas sobre cerca de 60 países. A investigação coloca o Brasil no grupo de países que importaram produtos que teriam sido feitos com trabalho forçado entre 2021 e 2025. São cinco os produtos listados no caso brasileiro: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. O USTR sustenta que o Brasil "falhou em impor e aplicar de forma efetiva" uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado e afirma que, embora o país cite compromissos assumidos em acordos de investimento e comércio, essas regras não proibiriam expressamente a entrada, no mercado doméstico, de mercadorias produzidas total ou parcialmente com trabalho forçado em outro país. O principal argumento é que o Brasil compra bens de países que não aplicam leis trabalhistas equivalentes às americanas, mas a investigação também aponta o uso de trabalho forçado em determinadas atividades no próprio país. O Brasil e outros 53 países são alvos da proposta de tarifa de 12,5%. Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão tiveram proposta de tarifa de 10%. Segundo os Estados Unidos, essas economias proíbem a importação de produtos feitos com trabalho forçado e se comprometeram a fazer cumprir essa proibição por meio de um Acordo de Comércio Recíproco ou adotaram um regime parcial para impedir a importação de determinados bens produzidos com trabalho forçado. Confira a cronologia dos tarifaços de Trump