Taxa de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) — Foto: Cadu Gomes/VPR RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 20:04 Alckmin descarta retaliação aos EUA e defende negociação econômica O vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, declarou que a retaliação aos EUA não é a intenção do governo após a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ele destacou a Lei da Reciprocidade como um instrumento de resposta e enfatizou a necessidade de negociação. O ministro Márcio Elias Rosa reforçou o compromisso com o diálogo e a busca por novos mercados, enquanto a Abimaq se posicionou contra a retaliação, defendendo soluções diplomáticas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira que a retaliação não é uma ideia do governo em reação ao tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil, que entra em vigor amanhã. Segundo ele, a Lei da Reciprocidade, mencionada pelo Executivo como possibilidade de resposta à taxa de 25%, é parte dos instrumentos para reagir ao que chama de injustiça. – Foi aprovada uma lei, a Lei da Reciprocidade, por unanimidade. É um processo que tem um conjunto de etapas, passando por audiências públicas. A ideia não é retaliação. Olho por olho pode acontecer dos dois ficarem cegos. Então, a reciprocidade é “olha, estamos sendo injustiçados, e nós queremos corrigir isso, temos instrumentos para fazê-lo". No momento oportuno, da forma adequada – disse ele, após se reunir com setores afetados pelas tarifas. Acompanhado do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, Alckmin afirmou que o Brasil vai insistir na negociação e apelar para que as contrapartes americanas — empresas que têm relação comercial com o Brasil — possam ajudar nesse processo, reverter ou reduzir a tarifa. Não entram nessa negociação outros pontos impostos pelos Estados Unidos na Seção 301, que resultou no tarifaço: abertura do mercado nacional ao etanol americano e revisão das tarifas preferenciais firmadas entre o Brasil e outros países, como México, por exemplo. Segundo Márcio Elias, essas questões ficaram para trás porque o governo dos Estados Unidos não aceitou os argumentos apresentados pelo Brasil. O ministro disse que o governo brasileiro realizará novas rodadas com os setores mais afetados para levar ao presidente Lula um diagnóstico da consequência do tarifaço nos custos das empresas, no lucro e nos empregos. — O presidente Lula nos orientou a conversarmos, na medida do possível, com todos os setores representados. Nós estamos confirmando dados, colhendo novos dados, também recebendo sugestões de modos pelos quais esses setores podem ser atingidos — disse o ministro, acrescentando que o desafio é buscar novos mercados. Ele disse também que ainda não há prazo para o anúncio das medidas de apoio aos setores afetados. Destacou que a preocupação agora é com a tarifa de 12,5% a ser anunciada pelos Estados Unidos na sexta-feira, se será cumulativa aos 25% e com a data de 29 de julho, quando entra em vigor o tarifaço para produtos e trânsito. Mais cedo, setor de máquinas e equipamentos se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade, instrumento que permitiria ao Brasil retaliar os Estados Unidos com sobretaxas equivalentes, como resposta ao novo tarifaço americano. Para o segmento, a saída para o impasse comercial passa pela negociação, e não pela revanche. A avaliação foi feita pelo presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, após reunião com o vice-presidente. Velloso foi enfático ao dizer que a entidade é contrária ao uso da reciprocidade. Ele explicou que o mecanismo não é simples de acionar, pois depende de etapas como uma consulta pública no Brasil — na qual, em sua avaliação, a maioria dos setores se posicionaria contra. Para ele, retaliar não resolve um problema que é, na origem, político. — Nós não somos a favor (da aplicação da Lei da Reciprocidade). Entendemos que nós temos que continuar pela via diplomática-empresarial, o que nós estamos fazendo. Para fazer a Lei de Reciprocidade, teria que fazer uma consulta pública antes, aqui no Brasil. E eu tenho a impressão de que, se essa consulta pública for feita, a maioria dos setores vão ser contra nessa consulta. E nós, com certeza, seremos — disse. O dirigente lembrou uma audiência pública realizada em Washington pelo órgão de comércio dos Estados Unidos (USTR), na qual entidades e empresas americanas manifestaram apoio ao Brasil, sem praticamente nenhuma defesa da taxação de máquinas. O tarifaço prevê a cobrança de uma taxa extra de 25% sobre as máquinas e demais produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções — ou seja, que não foram poupados pelo governo americano. O setor já havia enfrentado uma medida parecida, derrubada em fevereiro. Agora, a essa taxa pode se somar uma cobrança adicional de 12,5%, ligada a uma acusação de trabalho forçado, o que levaria o total a 37,5%. Na reunião com Alckmin, a Abimaq apresentou propostas em duas frentes. A primeira busca baixar custos internos que encarecem o produto brasileiro, o chamado Custo Brasil, com medidas como a redução de tributos que sobram na cadeia de produção e dificultam a exportação, além de mais crédito, seguro e a devolução de impostos pagos por quem produz para vender ao exterior (o drawback).