No pedido principal, o Ministério Público quer que a Justiça declare abusivas as práticas adotadas pelas empresas, proíba definitivamente a coleta de dados biométricos de íris mediante compensação financeira, determine a eliminação irreversível dos dados já coletados e condene as rés ao pagamento de, no mínimo, R$ 240 milhões por danos morais coletivos. O MP também pede a reparação de eventuais danos individuais sofridos pelos consumidores. Em caráter liminar, a promotora Patrícia Leitão pede a preservação de dados, registros e metadados relacionados à coleta de íris. Também requer a apresentação de contratos e relatórios sobre o armazenamento dessas informações, além da identificação da empresa do grupo Amazon responsável por sua hospedagem. O g1 solicitou posicionamentos à Tools For Humanity, por meio de seu escritório latinoamericano, e à Amazon Web Services, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. World: conheça projeto que paga criptomoedas por registro de íris Vulnerabilidade e falta de informação De acordo com a Promotoria, as investigações apontaram que a operação de coleta foi concentrada em regiões periféricas e áreas de grande circulação de pessoas, como proximidades de estações de metrô e unidades do Poupatempo, atingindo principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O Ministério Público afirma ainda que os consumidores não receberam informações claras sobre a finalidade econômica do projeto, os riscos relacionados ao tratamento dos dados biométricos, a transferência dessas informações para o exterior e a possibilidade de armazenamento em servidores da Amazon Web Services (AWS). Segundo a promotora Patrícia Leitão, os elementos reunidos indicam a ocorrência de publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e vício no consentimento dado pelos participantes. Ponto de atendimento da World na Vila Mascote, Zona Sul de São Paulo, em foto de 27 de janeiro de 2025 — Foto: Darlan Helder/g1 Investigação da Câmara A ação judicial tem origem no relatório final da CPI da Íris, aprovado por unanimidade em abril deste ano na Câmara Municipal de São Paulo. O relatório final, com 161 páginas, concluiu que o modelo de atuação da empresa apresenta elevados riscos jurídicos, sociais e tecnológicos, além de possíveis desconformidades com a legislação brasileira nas áreas de proteção de dados pessoais, defesa do consumidor e regulação financeira. A coleta de íris realizada pelo projeto World ID havia sido suspensa em fevereiro de 2025, após questionamentos de órgãos reguladores e investigações sobre a forma de obtenção e utilização dos dados biométricos dos participantes. 500 mil brasileiros venderam registro da íris em São Paulo