Adalberto do Nascimento Cândido, de 86 anos, deverá receber R$ 300 mil por danos morais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estátua de João Cândido, o “Almirante Negro” — Foto: Rebecca Alves A Justiça Federal do Rio condenou a União a pagar R$ 300 mil por danos morais a Adalberto do Nascimento Cândido, de 86 anos, filho de João Cândido Felisberto, o Almirante Negro. A decisão reconheceu que manifestações oficiais da Marinha, feitas em 2024, ofenderam a honra e a memória do líder da Revolta da Chibata, um dos personagens mais emblemáticos da luta contra o racismo no Brasil. Na sentença, o juízo entendeu que expressões utilizadas pelo Comando da Marinha em documentos enviados à Câmara dos Deputados foram incompatíveis com o reconhecimento histórico e jurídico de João Cândido. Segundo a decisão, o uso de termos pejorativos por um órgão oficial do Estado representou uma grave ofensa à sua memória e reproduziu práticas que o próprio Estado tem o dever de combater. João Cândido entrou para a história ao liderar, em 1910, a Revolta da Chibata, movimento protagonizado por marinheiros, em sua maioria negros, que se rebelaram contra os castigos físicos e as condições degradantes impostas pela Marinha. A revolta levou o governo da época a prometer o fim das punições com chibatadas, embora muitos dos participantes tenham sido perseguidos posteriormente. Conhecido como Almirante Negro, João Cândido se tornou símbolo da resistência à discriminação racial e da luta por dignidade dentro das Forças Armadas. Em 2008, recebeu anistia post mortem do Estado brasileiro, que reconheceu a injustiça cometida contra ele. Para os advogados, a decisão representa um marco na defesa da memória de João Cândido. “Esta decisão reafirma que a anistia concedida a João Cândido não pode ser esvaziada por manifestações oficiais que tentem reabilitar discursos de criminalização e desprezo contra um homem que se insurgiu contra a tortura e a desumanização de marinheiros negros”, afirmou Hédio Silva Jr.