Se errar é humano, o erro te liberta, canta Karol Conká em "Bate a Poeira". Embora tenha sido lançada há 13 anos, a canção parece dialogar hoje com a trajetória da rapper. "Tudo que já passei, nunca me intimidei/ já sofri, já ganhei, aprendi, ensinei/ tentaram me sufocar, mas eu respirei", diz a letra.

É uma das faixas que melhor representa seu disco de estreia, o "Batuk Freak", que agora retorna aos palcos em uma turnê nostálgica feita para antecipar também a celebração dos 25 anos de carreira de Conká, iniciada em 2002. Os primeiros shows aconteceram em São Paulo, na Casa Natura Musical, no último sábado (18), e no mês que vem ocorrem em Belo Horizonte e Curitiba.

Na apresentação, Conká relembra as 12 faixas do "Batuk Freak", um trabalho que ela considera atemporal e pioneiro. "Revisitá-lo me fez perceber o quão bem minhas letras traduzem as vivências que eu carrego", afirma Conká, antes de um ensaio.

Lançado em 2013, o "Batuk Freak", que combina batidas eletrônicas e influências africanas, apresentou canções sobre autoestima, sexualidade e ascensão social sob uma perspectiva feminina pouco comum no rap nacional daquele momento.

Quando lançou o disco, Conká havia se mudado há pouco tempo de Curitiba para São Paulo para tentar ser mais vista em polos culturais importantes do país. Deu certo, ela diz, embora hoje considere que o álbum não tenha recebido reconhecimento. "Eu tinha a sensação de que o ‘Batuk Freak’ estava saindo muito cedo, numa época em que não o entenderiam. Algumas pessoas me chamavam de futurista."