O escritor, compositor e cantor Fausto Fawcett lançou, entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990, discos e livros marcados por narrativas poéticas, exageradas e febris sobre o cotidiano, a cidade e seus submundos.

A música Rio 40 Graus — composta por ele, Laufer e Fernanda Abreu, que a gravou em 1992 — condensava bem esse olhar de observador da realidade: beleza e caos lado a lado, numa cidade atravessada por contrastes, desejos, violência e “comandos” do submundo.

Hoje, Fawcett avalia que aquele retrato do Rio deixou de ser apenas uma crônica local para se tornar uma fotografia mais ampla do País.

“As temáticas do meu trabalho são as de um ambiente urbano em caos, que, para mim, tem graus de complexidade e labirintos de situações”, afirma ele, em entrevista a CartaCapital.

Fausto lembra que, já no início da carreira, tocava em feridas urbanas e políticas. Havia, porém, uma “mundanidade” e certa boemia atravessando aquelas narrativas. “Tinha um lance erótico e prazeroso que entrecortava essa visão já crítica”, diz.