Emendas parlamentares de investimento em saúde financiaram mais cadeiras, computadores e ar-condicionados do que equipamentos médicos de baixo custo na Atenção Primária à Saúde (APS) em 2025, segundo boletim do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde).
O relatório aponta que, na APS, 65,7% dos equipamentos financiados por emendas individuais em 2025 —62.788 dos 95.598 itens— pertencem à categoria "Infraestrutura e Material de Escritório". Equipamentos de saúde de baixo custo, como eletrocardiógrafos, correspondem a 27,9% dos itens.
Em valores, o padrão se repete. Dos R$ 491 milhões recebidos na APS, R$ 113,9 milhões (23%) foram para infraestrutura, contra R$ 58,8 milhões (12%) para equipamentos de baixo custo. "Veículos" foi a categoria que concentrou mais gastos, com 54% do total investido (R$ 263,5 milhões).
"A compra de carros consome, sozinha, mais recursos de EP [emendas parlamentares] de investimento na Atenção Primária do que qualquer outro tipo de equipamento de saúde propriamente dito", diz Marcella Semente, especialista em relações institucionais do Ieps e uma das autoras do estudo.
Para ela, o dado aponta ainda que boa parte das unidades de saúde do país carece de infraestrutura básica de funcionamento —cadeira, computador, climatização—, o que é sintoma de subfinanciamento crônico da rede, não necessariamente de má gestão local.








