Que o futebol move multidões e somas incalculáveis de dinheiro, fica evidente durante a Copa do Mundo. Diante da magnitude do campeonato, é fácil esquecer da força deste esporte como um motor de conexão entre os jovens brasileiros —em quadras de areia, gramados, campos à beira do rio ou dentro da floresta, eles fazem do jogar bola um momento de socialização e lazer.

Em busca desse antiespetáculo, disputado não para as câmeras de televisão, mas pelo prazer em si, o fotógrafo Hick Duarte viajou durante cinco meses pelo Brasil para retratar o futebol informal, o esporte pelo esporte. O resultado são as 63 imagens da exposição "Em Campo", em cartaz até 22 de agosto na nova galeria Capela, em São Paulo, um espaço dedicado à fotografia.

"O futebol é um componente essencial na vida dessa juventude", afirma Duarte. "A exposição é uma espécie de manifesto sobre esse futebol jogado com garra, com paixão, sem dinheiro, sem estrutura. Eu fui vendo isso ao longo das viagens, entendendo como as pessoas resistem jogando e mantendo esse esporte apesar da escassez."

Na série logo à entrada da mostra, vemos uma partida entre quilombolas de Goiás, disputada sob forte chuva. As imagens em um preto e branco fortíssimo praticamente ocultam os rostos dos jogadores, enquanto ressaltam os movimentos do esporte, como o drible, o carrinho e a marcação, a água saltando das poças com a força das chuteiras pisando no gramado.