Antes de levantar a taça do pentacampeonato em 2002, Cafu pediu para um membro da comissão técnica escrever com uma caneta grossa em sua camisa: "100% Jardim Irene". A cena chamou a atenção do mundo: o capitão da seleção homenageou não só seu país, mas o bairro de onde veio. Ou, como diz o próprio Cafu, a sua quebrada, a sua favela, a sua comunidade.

A Netflix lançou uma minissérie que ajuda a entender um pouco do mundo do futebol nas periferias de São Paulo — Várzea: Onde Nasce o Futebol. O documentário gira em torno de um campeonato que reúne clubes de várzea de todas as partes da cidade. Os times se matam em campo pela sua quebrada, seja o ASA da Vila Prudente, o MEC da Cidade Tiradentes, o Milianos de Campo Limpo ou o Raça Ruim da Vila Matilde.

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O jogo é feroz, a torcida é barulhenta, juízes e bandeirinhas são xingados; na preleção, um técnico agarra o atacante e vocifera: "Tem que jogar com o sentimento da comunidade, tem que guerrear". A metáfora da guerra, aliás, embalada pelo rap, é permanente: "Aqui é matar ou morrer". Armas aparecem em várias cenas.