O Ministério da Fazenda afrouxou uma regra de empréstimo a estados e municípios e permitiu que o Amapá tomasse um crédito de R$ 536 milhões, com garantia soberana, apenas três meses após dar um calote em dívidas que tinham a própria União como fiadora. Sem a flexibilização, o estado precisaria respeitar uma quarentena de 12 meses.
A mudança foi feita em portaria assinada em 2 de março de 2026 pelo então ministro Fernando Haddad e publicada no dia seguinte no DOU (Diário Oficial da União). Vinte e cinco dias depois, o estado concluiu a contratação do crédito junto ao Banco do Brasil, com a garantia de que o Tesouro honrará os pagamentos em caso de inadimplência.
Sem a alteração, o Amapá só poderia obter empréstimo sem garantia soberana. A concessão do aval, porém, é relevante para aumentar o apetite dos bancos e tornar a operação mais barata, devido ao menor risco.
O Amapá é reduto eleitoral do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil) —com quem o governo Lula (PT) mantém uma relação de idas e vindas— e do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT). No início deste ano, Alcolumbre, que é presidente do diretório do União Brasil no Amapá, filiou à sigla o atual governador do estado, Clécio Luís, de olho em sua reeleição.








