Costumo ter ótimas conversas em almoços, jantares, bares e forrós com colunistas da Folha e de outros jornais. Um deles é Samuel Pessôa. Infelizmente, ele ainda não topou ir ao forró. Porém, costumamos compartilhar bons almoços e algumas cachacinhas mineiras de vez em quando.

Ele costuma acompanhar alguns dos meus trabalhos de perto. Já foi ao lançamento de dois livros meus e costumamos ter várias trocas construtivas.

Na semana passada, ele me mandou uma mensagem dizendo que tem uma discordância em relação à minha última coluna, intitulada "Preguiça dos ricos raramente produz pobreza?". Disse que eu estaria subestimando a quantidade de ricos que empobrecem em função de suas escolhas.

"Conheço um monte. Ser rico torna a vida mais fácil. Mas, com o tempo, vai se empobrecendo, sim. Minha evidência casual é imensa", argumentou ele.

A mensagem de Pessôa é interessante justamente porque captura uma confusão comum no debate sobre mobilidade social: a diferença entre conhecer casos de ricos que perderam parte do patrimônio e medir a chance de uma pessoa nascida no topo cair para a base da distribuição.