De bromélias exóticas a arbustos raros, dezenas de plantas carregam o nome de Roberto Burle Marx, que revolucionou a construção de parques e jardins públicos no Brasil. Filho de uma pernambucana e de um judeu alemão, as raízes do artista já anunciavam sua vocação para reunir espécies nativas e estrangeiras em seus projetos.
É desse debate sobre pluralidade que parte a exposição "Plantas em Movimento" ao reunir desenhos e quadros do paisagista no Museu Judaico, em São Paulo. Sem ordem cronológica, a mostra permite andar livremente pelas folhas, caules e troncos retratados por Burle Marx, em uma dinâmica próxima à que ele propunha entre o homem e o espaço.
Isso porque seu trabalho aproximava a natureza e o universo urbano, independentemente das origens ou de hierarquias entre vegetais mais ou menos nobres. "Ele estendeu a nobreza a espécies brasileiras, num tempo em que predominavam jardins ingleses e franceses", explica o arquiteto Guilherme Wisnik, que assina a curadoria junto de Isabela Ono.
"Ia na contramão das fachadas das casas europeias e trazia à frente o que ficava no fundo do quintal."
Exemplo disso é o jardim da antiga residência Walther Moreira Salles, no Rio de Janeiro, que o artista idealizou nos anos 1950 para acomodar a casa do então embaixador. Croquis e fotos tornam palmeiras-açaí e árvores pau-mulato, historicamente reduzidas a mato, em protagonistas imponentes do local, que hoje abriga o Instituto Moreira Salles.








