Diante dos jurados, Monique Medeiros da Costa e Silva resumiu sua defesa em uma frase: "Uma mãe não mata o seu filho". Presa preventivamente por dois anos e oito meses num pavilhão destinado a detentas por crimes contra crianças e idosos, ela disse ao júri que, se soubesse de algo naquela madrugada, estaria "respondendo por homicídio do Jairinho" ou "enterrada ao lado" do filho.

O júri concordou em parte. Em 4 de junho, após o julgamento mais longo da história do Rio de Janeiro, iniciado em 25 de maio, o conselho de sentença condenou o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelo homicídio qualificado de Henry Borel, 4, além dos crimes de tortura e coação no curso do processo.

Para Monique, os jurados afastaram a intenção de matar: desclassificaram a acusação para homicídio culposo e a condenaram apenas por tortura por omissão, a 1 ano e 4 meses —pena já cumprida na fase preventiva. A juíza Elizabeth Machado Louro concedeu a ela o perdão judicial.

A Justiça ainda não julgou os recursos da Promotoria, que tenta anular o perdão perdão a Monique, e a defesa de Jairinho busca invalidar todo o julgamento.

Os vídeos do interrogatório, aos quais a Folha teve acesso, mostram a versão que Monique levou ao plenário: a de uma mulher enlutada, que afirma não ter visto os sinais nem no filho, nem no homem com quem dividia a casa.