Durante o depoimento, a ré afirmou pela primeira vez acreditar que Jairinho foi o responsável pela morte do filho Mãe e ré, Monique Medeiros veste camisa com fotos de Henry e ela no julgamento — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 15:17 Monique Medeiros acusa Jairinho pela morte de Henry Borel em julgamento No nono dia do julgamento pela morte de Henry Borel, Monique Medeiros respondeu à juíza e à sua defesa, mas recusou-se a responder ao Ministério Público e à defesa de Jairinho. Durante o interrogatório, Monique afirmou pela primeira vez acreditar que Jairinho foi o responsável pela morte de seu filho. A mãe de Henry também negou relatos de agressões feitos pela babá. O julgamento agora avança para os debates finais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Após passar cerca de cinco horas respondendo às perguntas da juíza Elizabeth Louro e de seus advogados no nono dia do julgamento pela morte de Henry Borel, Monique Medeiros decidiu não responder aos questionamentos formulados pelo Ministério Público e pela defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho. A decisão foi anunciada após o encerramento da primeira etapa de seu interrogatório, antes das perguntas das defesas, quando a mãe de Henry exerceu o direito de permanecer em silêncio diante das novas perguntas. Ao longo da sessão, Monique respondeu a questionamentos sobre o relacionamento com Jairinho, as mudanças de comportamento observadas em Henry nos meses que antecederam sua morte, os alertas recebidos sobre o então companheiro e os acontecimentos da madrugada de 8 de março de 2021, quando o menino morreu. — Hoje eu creio que quem matou meu filho foi o Jairo. Eu não vi, mas depois dos depoimentos eu acredito que tenha sido ele — declarou aos jurados. A estratégia adotada por Monique difere da expectativa criada pela própria defesa. Na manhã desta terça-feira, o advogado Hugo Novais havia afirmado que sua cliente responderia às perguntas que lhe fossem feitas durante o interrogatório. O interrogatório é considerado um dos momentos mais importantes do Tribunal do Júri por representar a última oportunidade de manifestação dos réus antes dos debates entre acusação e defesa. Após a conclusão da oitiva de Monique, a expectativa é que Jairinho também seja interrogado no plenário. Em seguida, o julgamento entrará na fase de debates, quando Ministério Público, assistentes de acusação e advogados apresentarão seus argumentos finais aos jurados antes da votação dos quesitos que definirão o destino dos réus. Vida no cárcere Presa desde abril de 2021 pelo caso Henry Borel, Monique Medeiros descreveu nesta terça-feira, durante seu interrogatório no Tribunal do Júri, como é a rotina dentro do sistema prisional feminino. Ao responder perguntas da juíza Elizabeth Louro, a ré afirmou que a realidade vivida pelas detentas é mais dura do que a sociedade imagina e relatou episódios de fome, abandono familiar e falta de atendimento adequado de saúde mental. — É horrível. Tem muita gente inocente lá dentro. A gente não imagina o que é além dos muros — disse Monique. Em um depoimento que se afastou momentaneamente das circunstâncias da morte de Henry, Monique falou sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres privadas de liberdade. Segundo ela, as necessidades femininas muitas vezes não são atendidas adequadamente dentro das unidades prisionais. — As mulheres sofrem muito mais do que os homens. Nós somos biologicamente diferentes. Precisamos de absorvente, precisamos de chuveiro, de vaso sanitário. Muitas vezes não temos uma alimentação adequada — afirmou. Monique disse que, mesmo recebendo apoio constante da família, já enfrentou situações de privação dentro da prisão. — Muitas vezes eu já passei fome, mesmo tendo apoio da minha família — desabafou. A ré também chamou atenção para a situação de mulheres que não recebem visitas ou auxílio externo. Segundo ela, muitas detentas acabam sendo abandonadas por familiares, companheiros e até pelos próprios filhos. Outro ponto abordado por Monique foi a falta de assistência psicológica e psiquiátrica nas unidades prisionais. Segundo ela, a demanda por atendimento é muito superior à capacidade de profissionais disponíveis. — As pessoas são muito desesperançosas e não têm um acompanhamento psicológico e psiquiátrico eficiente. Só tem um psicólogo e um psiquiatra para atender cerca de 500 pessoas que precisam de acompanhamento — afirmou. Durante o depoimento, Monique contou ainda que já solicitou diversas vezes atendimento especializado enquanto esteve presa. Segundo ela, parte desse acompanhamento só passou a ocorrer após determinação judicial.