Ao que parece, o governo dos Estados Unidos está achando que seus militares não conseguiram dar um jeito no Irã por falta de... testosterona. Portanto, daqui para a frente, todos os membros das Forças Armadas com mais de 30 anos vão ser obrigados a medir o nível do hormônio e poderão repô-lo (supostamente, de forma voluntária) caso o valor seja considerado baixo. Cá entre nós, todo mundo já sabia que a "Pax Americana" era garantida com bombas, mas eu não imaginava que a expressão fosse de duplo sentido.
(OK, acho que vou ter de explicar a piada: "tomar bomba" é a gíria para o uso de substâncias derivadas da testosterona por ratos de academia. Vai que alguém não entende, né?)
A ideia –criar um "Departamento da Guerra com alta testosterona", como declarou o governo americano– é tão burra, mas tão burra, que a única explicação para o anúncio é mobilizar a base troglodita de Trump com mais um meme. No entanto, como o culto ao hormônio masculino (que, vale dizer, não é exclusivamente masculino) também anda crescendo por aqui, talvez seja útil explicar por que a testosterona não é uma fórmula mágica capaz de transformar caipiras de Minnesota no Capitão América.
Nosso guia para isso é o neurobiólogo e primatólogo Robert Sapolsky (nova-iorquino, tal como Trump). Ele explica todos os meandros da ação da testosterona em seu magistral livro "Comporte-se". Resumindo: a coisa é tremendamente complicada –tão complicada que eu vou suar para desemaranhar o essencial neste espaço, mas tentemos.













