Medida anunciada pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, prevê triagem anual e oferta voluntária de reposição hormonal; democratas e especialistas questionam critérios e alcance do programa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ao chegar à zona de pouso de campo da US Army War College, a caminho da Cúpula de Defesa e Inovação da Pensilvânia, em Carlisle, Pensilvânia, em 15 de julho de 2026 — Foto: SAUL LOEB / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 13:13 Pentágono Impõe Teste de Testosterona para Militares Acima de 30 Anos O Pentágono, sob a liderança de Pete Hegseth, implementará exames de testosterona obrigatórios para militares com mais de 30 anos, visando o "máximo desempenho" das tropas. A medida, polêmica, oferece reposição hormonal voluntária e enfrenta críticas de democratas e especialistas, que questionam sua base científica e abrangência. O programa busca otimizar capacidades naturais, mas é visto como parte de uma "obsessão de guerra cultural" por alguns críticos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou na quarta-feira uma nova política que prevê exames obrigatórios de deficiência de testosterona para militares da ativa e da reserva com 30 anos ou mais. A medida, que, segundo ele, é necessária para permitir que as tropas atuem em seu "máximo desempenho", fará parte das avaliações periódicas de saúde realizadas anualmente pelas Forças Armadas americanas. Militares com menos de 30 anos também poderão solicitar os exames de forma voluntária. Caso sejam identificados baixos níveis do hormônio, a reposição hormonal será oferecida opcionalmente aos integrantes das tropas. Em vídeo divulgado na rede social X, acompanhado da legenda "Departamento de Alta Testosterona" (High-T Department), Hegseth afirmou que o objetivo é garantir que os militares mantenham os níveis hormonais adequados para enfrentar as exigências do serviço militar. — Está cientificamente bem estabelecido que, à medida que envelhecemos, os níveis de testosterona caem de forma natural. Não se trata de uma melhora artificial; é sobre restaurar e otimizar as capacidades naturais, proteger a longevidade e assegurar que vocês tenham a base biológica necessária para sustentar a batalha — afirmou. O porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que o programa permitirá ao Departamento de Defesa estabelecer um panorama abrangente dos níveis hormonais das tropas e oferecer tratamentos quando necessário. "O protocolo permitirá ao Departamento estabelecer uma linha de base abrangente e oferecer terapia de testosterona direcionada, garantindo a manutenção de uma força de combate saudável, capaz e decisivamente dominante", declarou em comunicado. O uso de testosterona para fins não médicos, como aumento artificial de massa muscular sem prescrição, continuará proibido nas Forças Armadas. Hegseth insistiu que a nova iniciativa "não tem relação com aprimoramento artificial". Debate sobre reposição hormonal O anúncio ocorre em meio aos esforços do secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., e de outros integrantes do governo do presidente americano, Donald Trump, para facilitar o acesso de homens a tratamentos de reposição hormonal. No mês passado, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) propôs flexibilizar restrições para a prescrição de géis, comprimidos, adesivos e injeções de testosterona. Atualmente, esses medicamentos são oficialmente indicados apenas para homens diagnosticados com hipogonadismo, condição que provoca níveis anormalmente baixos do hormônio. A testosterona está associada ao desenvolvimento muscular, à produção de espermatozoides e à libido masculina. Os seus níveis começam a diminuir naturalmente entre os 30 e os 40 anos. Segundo estimativas citadas por especialistas, a deficiência de testosterona pode afetar entre 10% e 40% dos homens mais velhos no mundo. Entre os sintomas estão alterações de humor, redução da libido e perda de massa muscular. Mohit Khera, professor de urologia da Faculdade de Medicina Baylor e responsável por um painel de especialistas da FDA sobre o uso de testosterona nas Forças Armadas, afirmou à BBC que a triagem pode ajudar a identificar casos de deficiência hormonal que afetam o desempenho físico. — Muitos homens jovens apresentam baixos níveis de testosterona, o que pode colocá-los em desvantagem em termos de massa muscular e energia. Isso pode ser um problema em situações de combate — diz. O especialista, porém, alertou que a reposição hormonal não deve ser utilizada indiscriminadamente. — É preciso ter cuidado para não simplesmente administrar testosterona sem que existam sintomas associados — afirma. Khera acrescentou que o tratamento pode aumentar a massa muscular e reduzir o risco de depressão, mas também pode provocar infertilidade e apresentar potenciais riscos cardiovasculares. Críticas e questionamentos A iniciativa gerou críticas de parlamentares democratas e especialistas. Segundo a agência de notícias Associated Press, o Pentágono não apresentou estudos científicos que embasem a nova política. O Departamento de Defesa não esclareceu se militares mulheres também serão submetidas aos exames nem se haverá avaliação para terapias hormonais à base de estrogênio durante a perimenopausa. A senadora Tammy Duckworth, democrata de Illinois e veterana da Guerra do Iraque, pediu que a política seja ampliada para ambos os sexos. — Vamos estender os exames hormonais para todos os nossos militares e identificar precocemente problemas de fertilidade, já que estudos mostram que homens e mulheres das Forças Armadas enfrentam taxas mais altas de infertilidade do que a população em geral — ressalta. Já a deputada Chrissy Houlahan, democrata da Pensilvânia e veterana da Força Aérea, classificou a medida como a mais recente "obsessão de guerra cultural" de Hegseth. As críticas também se apoiam no histórico recente do secretário de Defesa. Desde que assumiu o Pentágono, Hegseth já bloqueou promoções de algumas mulheres, demitiu líderes militares do sexo feminino e afirmou que funções de combate devem seguir "o mais alto padrão masculino". Histórico de controvérsias O anúncio também reacendeu discussões sobre o uso de testosterona nas Forças Armadas americanas, tema que já foi alvo de investigações nos últimos anos, especialmente entre integrantes das forças de operações especiais. Em 2022, a morte de um recruta da unidade de elite Navy SEALs durante um treinamento levou à descoberta de testosterona e outras substâncias em sua posse. O caso revelou um uso mais disseminado de produtos voltados ao aumento de desempenho físico do que se admitia anteriormente. No ano seguinte, a Marinha dos EUA anunciou um programa específico para detectar substâncias hormonais relacionadas à testosterona utilizadas para promover crescimento muscular. Ao anunciar a nova política, Hegseth afirmou que o objetivo não é estimular o uso desses produtos, mas monitorar a saúde dos militares e garantir que permaneçam "fortes, resilientes e capazes" diante das exigências dos campos de batalha modernos. (Com AFP)