Donald Trump foi à TV na noite de quinta para anunciar a desclassificação de documentos que, segundo ele, provariam a interferência da China na eleição que perdeu em 2020. O presidente falou na "maior violação de dados eleitorais da história", prometeu punir os responsáveis por um suposto encobrimento e liberou uma pasta zipada com 23 arquivos com as supostas provas de tal acusação.
Passei todos os PDFs (a maioria com grandes trechos ocultados) a limpo e encontrei uma história bem menos espetacular do que a retratada pelo presidente americano.
Os documentos mostram que a China coletou dados de eleitores de 18 estados e analisou a opinião pública americana, mas não há uma linha sequer sobre tentativas de adulterar os resultados.
Boa parte do material publicado com fanfarra admite que a informação era pública, comprável no mercado de dados ou já vazada tempos antes. A despeito da Casa Branca repetir várias vezes que, com isso, os resultados em 2020 foram comprometidos, a acusação não se sustenta diante das próprias evidências apresentadas.
O relato mais grave do pacote é o mais frágil. Um informe do escritório do FBI em Albany afirma que a China teria fabricado carteiras de motorista falsas usando endereços coletados por meio de cadastros no TikTok para gerar dezenas de milhares de votos por correio a favor de Biden.












