Amanda Feilding, a madrinha dos psicodélicos, deve estar dando voltas na tumba. A compra da AtaiBeckley pela Eli Lilly por US$ 2,8 bilhões (R$ 11,2 bilhões) sepulta de vez sua fantasia de mudar a saúde mental e o futuro, ambos em frangalhos por toda parte, dando acesso a tais amplificadores de consciência.
A condessa de Wemyss criou a Fundação Beckley em 1998 com o nome de Fundação para Avançar a Consciência, depois alterado para celebrar Beckley Park, sua mansão senhorial. Ajudou a financiar estudos pioneiros no Imperial College e outras instituições, até que em 2019 criou com o filho Cosmo Feilding Mellen a firma Beckley PsyTech para surfar na maré montante de startups psicodélicas.
Em 2025 a Beckley PsyTech foi comprada pela Atai, do investidor em psicodélicos Christian Angermayer, que escolheu a marca AtaiBeckley mais pelo apelo nobiliárquico do que pela memória libertária de lady Amanda. O carro-chefe da Beckley é um spray nasal antidepressivo com 5-MeO-DMT, o famigerado "veneno do sapo" (cujo efeito psicodélico era mais conhecido pela secreção do batráquio Incilius alvarius).
A empresa também trabalha num filme bucal com dimetiltriptamina (DMT), o psicoativo da ayahuasca e da jurema-preta, igualmente para tratar depressão. O mercado atrativo está na modalidade do transtorno resistente aos antidepressivos de prateleira, mais de um terço dos pacientes, pelo menos uma centena de milhões de pessoas no mundo.












