Acordo reforça a presença de longa data da Lilly na área de neurociências, segmento no qual a empresa revolucionou o tratamento da depressão há cerca de três décadas com o lançamento do Prozac 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lilly reforça aposta na medicina psicodélica — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 18:41 Eli Lilly adquire AtaiBeckley por US$ 3,8 bi e reforça aposta em psicodélicos A Eli Lilly & Co. fechou um acordo de US$ 3,8 bilhões para adquirir a AtaiBeckley, ampliando sua atuação em neurociências e no promissor mercado de psicodélicos. A empresa, conhecida pelo Prozac, reforça seu interesse em tratamentos inovadores para depressão e ansiedade. O destaque do acordo é o spray nasal BPL-003, que oferece rápida eficácia contra depressão resistente. O setor, antes marginal, ganha impulso e pode atingir US$ 7 bilhões até 2032. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Eli Lilly & Co., farmacêutica fabricante do Monjauro, concordou em adquirir a AtaiBeckley por um valor que pode chegar a US$ 3,8 bilhões, destacando o crescente interesse das grandes empresas do setor pela área, antes considerada marginal, da medicina psicodélica. A Lilly pagará US$ 6,75 por ação em dinheiro, além de até US$ 2,50 adicionais por ação, caso determinados marcos no desenvolvimento dos medicamentos sejam alcançados, segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira. O preço-base representa um prêmio de 26% em relação ao fechamento das ações da AtaiBeckley na quarta-feira. O anúncio confirma uma reportagem anterior da Bloomberg News informando que as empresas estavam próximas de fechar um acordo. A Bloomberg já havia informado que a AtaiBeckley avaliava alternativas de venda ou parceria para seu principal medicamento, conhecido como BPL-003, um spray nasal de ação rápida destinado ao tratamento da depressão resistente aos tratamentos convencionais. O acordo reforça a presença de longa data da Lilly na área de neurociências, segmento no qual a empresa revolucionou o tratamento da depressão há cerca de três décadas com o lançamento do Prozac. Embora a farmacêutica, sediada em Indianápolis, seja atualmente mais conhecida por seus medicamentos de grande sucesso para obesidade e diabetes, ela continua investindo em neurociências, incluindo tratamentos para a doença de Alzheimer e analgésicos não viciantes. Segundo pessoas familiarizadas com os planos da empresa, que pediram anonimato por tratarem de informações confidenciais, a Lilly já vinha acompanhando o setor de medicamentos psicodélicos há algum tempo. O negócio ocorre em um momento decisivo para a medicina psicodélica. Após anos à margem do desenvolvimento farmacêutico, o setor ganhou impulso graças ao sucesso do Spravato, da Johnson & Johnson, aos resultados promissores de estudos clínicos e ao apoio recente do governo Trump. Analistas da Bloomberg Intelligence estimam que o mercado de tratamentos psicodélicos poderá atingir US$ 7 bilhões em vendas até 2032. Uma nova era A AtaiBeckley é uma das várias empresas que pretendem liderar essa nova fase da medicina psicodélica. Além do tratamento da depressão resistente, a empresa, fundada pelo empreendedor alemão Christian Angermayer e apoiada pelo bilionário Peter Thiel, também está desenvolvendo medicamentos para o transtorno de ansiedade social. Em estudos clínicos de fase intermediária, pacientes que receberam o principal medicamento da AtaiBeckley apresentaram melhora significativa dos sintomas depressivos em apenas dois dias após uma única dose, com benefícios que perduraram por até oito semanas. O medicamento recebeu da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos a designação de Breakthrough Therapy ("Terapia Inovadora"), concedida a tratamentos com potencial de representar avanços substanciais em relação às terapias existentes. A empresa afirma que um dos principais diferenciais do BPL-003 é a menor duração do tratamento. A experiência psicodélica provocada pelo medicamento dura aproximadamente uma a duas horas, enquanto um composto concorrente desenvolvido pela Compass Pathways pode exigir monitoramento do paciente por até oito horas. A GH Research Plc também está desenvolvendo um tratamento semelhante. "Queríamos realmente algo que fosse fácil de usar tanto para os pacientes quanto para os médicos", afirmou o CEO da AtaiBeckley, Srinivas Rao, em uma entrevista recente concedida ao escritório da Bloomberg em Nova York. "Algo que pudesse ser facilmente incorporado ao modelo de tratamento já utilizado com o Spravato." Outras empresas que atuam no desenvolvimento de terapias psicodélicas incluem a Definium Therapeutics, que estuda um tratamento promissor à base de LSD para o transtorno depressivo maior, e a AbbVie. O Goldman Sachs assessorou a Lilly na operação, enquanto a AtaiBeckley contou com a assessoria da Moelis & Co. e da Centerview Partners. O conselho de administração da AtaiBeckley foi assessorado pelo Citigroup. Segundo o comunicado, o pagamento inicial em dinheiro na aquisição será de aproximadamente US$ 2,8 bilhões, com os acionistas da AtaiBeckley podendo receber cerca de US$ 1 bilhão adicional, caso todos os marcos previstos no desenvolvimento dos medicamentos sejam atingidos. Em uma publicação na rede social X, Christian Angermayer afirmou que, quando começou a considerar a ideia de trazer os psicodélicos de volta à medicina convencional, em 2014, "a proposta era amplamente vista como uma ideia maluca, praticamente sem nenhuma chance de sucesso. Hoje, a medicina psicodélica parece quase inevitável. Naquela época, era tudo, menos isso."