A Eli Lilly deu um novo passo na disputa pelo mercado de saúde mental ao anunciar a compra da biofarmacêutica AtaiBeckley, especializada em terapias baseadas em substâncias psicodélicas. O valor inicial do negócio é de 2,8 bilhões de dólares, com possibilidade de chegar a 3,8 bilhões de dólares caso metas clínicas e regulatórias sejam atingidas, o que reforça o apetite da gigante norte-americana por esse segmento emergente.

A AtaiBeckley atua como empresa de estágio clínico focada em transtornos de saúde mental de difícil tratamento, como depressão resistente e transtorno de estresse pós-traumático. Seu principal ativo é o BPL‑003, spray nasal baseado em composto psicodélico sintético, em fase avançada de testes para depressão resistente, além de um portfólio de programas com DMT e MDMA em formulações desenhadas para uso terapêutico, sempre em ambiente clínico supervisionado.

A companhia tornou-se uma das referências na chamada “medicina psicodélica”, que busca posicionar substâncias historicamente associadas ao uso recreativo em protocolos médicos rigorosos, com doses controladas e combinação entre fármacos e acompanhamento psicoterapêutico. O negócio sinaliza que a Eli Lilly pretende integrar terapias psicodélicas ao seu núcleo de neurociência, em linha com o movimento que começa a ocorrer com psilocibina, quetamina e outros compostos estudados em grandes centros de pesquisa.