Com a chegada do inverno, aumentam os casos de influenza, Covid-19 e outras infecções respiratórias. Além dos sintomas gripais típicos, essas doenças podem causar efeitos no organismo meses após a cura. Entre eles, uma queda mais intensa de cabelo.

"A relação entre inverno e queda capilar não é tão simples. Alguns estudos sugerem que pode haver uma variação sazonal do ciclo capilar, com maior proporção de fios entrando na fase de queda em determinados períodos do ano", relata a dermatologista e tricologista Bárbara Miguel, do Einstein Hospital Israelita.

Diversos fatores biológicos e ambientais atuam em conjunto para que isso ocorra —a queda da temperatura, por si só, não faz o cabelo cair. Durante e após uma infecção, o organismo pode entrar em estado inflamatório intenso, capaz de desregular o ciclo natural dos folículos capilares. Como consequência, muitos fios interrompem precocemente sua fase de crescimento e passam para a fase de queda, em um quadro conhecido como eflúvio telógeno, uma das causas mais comuns de perda temporária de cabelo.

"É como se o organismo sinalizasse aos fios que seu crescimento não é a prioridade naquele momento de muito estresse metabólico", explica a dermatologista Natalia Cymrot, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Regional São Paulo (SBD-SP). A Covid-19, por exemplo, é uma das infecções com potencial de causar intensa inflamação no organismo. "Outras infecções sistêmicas que causam inflamação também cursam frequentemente com eflúvio telógeno, como influenza ou infecções bacterianas", diz.