Banhos muito quentes, clima seco e uso frequente de secador alteram a saúde dos fios e do couro cabeludo; veja os cuidados que fazem diferença 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Por que o cabelo sofre mais no inverno e como proteger os fios — Foto: Magnific Com a chegada do inverno, não é só a pele que sente os efeitos das baixas temperaturas. O cabelo também costuma dar sinais de que a rotina precisa mudar: o couro cabeludo pode ficar mais oleoso e descamar, os fios tendem ao ressecamento e o uso mais frequente de secadores e chapinhas aumenta a exposição ao calor. Embora esses incômodos sejam comuns nesta época do ano, alguns ajustes simples nos cuidados diários ajudam a preservar a saúde capilar e evitar danos mais duradouros. Segundo a dermatologista e tricologista Tamara Vanzela, um dos primeiros impactos do inverno aparece no couro cabeludo, principalmente em razão de hábitos típicos da estação. "O frio pode favorecer o aumento da descamação, piorando quadros como caspa, dermatite seborreica e até psoríase. Isso ocorre não apenas por causa das temperaturas mais baixas, mas principalmente pelo hábito de tomar banhos muito quentes, que estimulam a produção de oleosidade e aumentam os processos inflamatórios da região", explica. Além das alterações no couro cabeludo, a combinação entre clima seco e baixa umidade do ar compromete a hidratação natural dos fios. O resultado costuma ser um cabelo mais opaco, áspero e vulnerável à quebra. Para minimizar esses efeitos, a especialista recomenda reforçar a hidratação durante a estação. "A hidratação deve ser intensificada. O ideal é utilizar máscaras hidratantes duas a três vezes por semana, praticamente em todas as lavagens, para repor água e manter a maciez dos fios", orienta. A crença de que o inverno provoca aumento da queda de cabelo também merece ressalvas. Apesar de ser uma percepção frequente, a relação direta entre frio e perda de fios não é sustentada pelas evidências científicas. "As pesquisas mostram que a maior queda de cabelo costuma acontecer na transição do verão para o outono, devido a um fenômeno chamado fotoperiodicidade. Nos meses que contemplam o inverno, muitas pessoas têm a impressão de que estão perdendo mais fios porque lavam menos o cabelo ou apresentam mais descamação no couro cabeludo, mas não existe uma relação direta entre o frio e o aumento da queda", esclarece a Dra. Tamara. Outro hábito que se intensifica nos dias frios é recorrer ao secador e à chapinha para acelerar a secagem e modelar o penteado. O problema é que a exposição frequente ao calor pode comprometer a estrutura da fibra capilar quando não há os devidos cuidados. "O secador deve ser usado em temperatura morna, mantendo uma distância aproximada de 15 centímetros dos fios e sempre com protetor térmico. Já a chapinha merece mais cautela, pois é uma fonte de calor muito intensa aplicada diretamente sobre o cabelo, podendo causar danos importantes à fibra capilar", alerta. Quem passou por procedimentos químicos, como coloração, alisamento ou descoloração, precisa de atenção redobrada durante a estação. Isso porque esses cabelos tendem a perder água e nutrientes com mais facilidade. "Além da hidratação realizada em casa, pode ser interessante investir em tratamentos profissionais que ajudem a repor água, lipídios, proteínas e aminoácidos, devolvendo brilho, resistência e maciez aos fios", destaca. A rotina também pode ser adaptada com pequenas mudanças que fazem diferença no dia a dia. Evitar banhos muito quentes e demorados, manter uma boa ingestão de água e escolher produtos adequados para a necessidade do couro cabeludo são algumas das recomendações. "Uma dica interessante é intercalar o shampoo hidratante com um shampoo anticaspa ou adstringente", afirma. Caso sintomas como coceira intensa, descamação persistente, ressecamento acentuado ou uma queda acima do habitual se prolonguem, a orientação é buscar avaliação especializada. "Sempre que houver uma alteração importante no couro cabeludo ou nos fios, é fundamental procurar um especialista. O diagnóstico correto é o primeiro passo para um tratamento eficaz e para evitar que o problema se agrave", conclui a médica.