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O aumento de gripes, resfriados e outras viroses respiratórias no inverno não é coincidência. Existe uma combinação bem documentada de fatores ambientais, biológicos e comportamentais que favorece a circulação desses vírus nos meses frios.Em regiões de clima temperado, como grande parte da Europa, América do Norte e Sul do Brasil, vírus respiratórios apresentam um padrão sazonal previsível. Influenza (gripe), vírus sincicial respiratório, coronavírus sazonais e outros agentes costumam atingir seus picos justamente durante o inverno. Estudos epidemiológicos que acompanham populações ao longo de muitos anos confirmam essa relação com alta consistência.O frio interfere diretamente nas nossas defesas naturais. O revestimento interno do nariz e das vias aéreas produz muco e possui células com pequenos cílios responsáveis por expulsar partículas e microrganismos. O ar frio prejudica o funcionamento desse mecanismo de limpeza. Estudos recentes mostram ainda que a queda da temperatura nasal pode reduzir respostas antivirais locais, como a produção de interferons (proteínas que atuam na defesa do organismo) e a liberação de microvesículas que ajudam a neutralizar vírus logo no início da exposição.Outro fator possível envolve a vitamina D. Durante o inverno, a exposição ao sol costuma ser menor, o que pode reduzir seus níveis no organismo. A vitamina D participa da regulação da imunidade e sua deficiência está associada a maior risco de infecções respiratórias. No entanto, a evidência sugere que esse é apenas um dos vários elementos envolvidos e provavelmente não explica sozinho a sazonalidade das viroses.O comportamento humano talvez seja o componente mais intuitivo. No frio, passamos mais tempo em ambientes fechados, muitas vezes com ventilação limitada e maior proximidade entre as pessoas. Escolas, transportes e locais de trabalho tornam-se ambientes propícios para transmissão viral. A pandemia de COVID-19 mostrou claramente como ventilação e circulação de ar influenciam a propagação de vírus respiratórios. Um dos aprendizados da pandemia foi sobre a necessidade de limpar o ar de ambientes coletivos com filtros HEPA e alguns governos trabalham na implementação em larga escala. Na torcida por Portugal abraçar a ideia tambémEm resumo, hoje, o entendimento científico aponta que a sazonalidade das infecções respiratórias é resultado da interação entre vírus, ambiente e organismo humano. Não existe uma única causa, mas sim um conjunto de fatores que se somam.Esse conhecimento tem implicações práticas importantes. Manter ambientes ventilados, evitar aglomerações quando possível, uso de máscara simples por ocasião de sintomas suspeitos (para reduzir transmissão), manter atualizada a vacinação contra influenza, COVID e agora vírus sincicial respiratório (VSR) para grupos de risco e cuidar da saúde geral (sono, exercício, gestão de emoções) continuam sendo medidas fundamentais para reduzir o risco/gravidade de infecções durante o inverno. Sim o frio favorece a circulação viral, mas há formas de nos protegemos.






