A certa altura, em seu novo livro, o professor da Universidade de Brasília (UnB) e linguista brasileiro Marcos Bagno escreve de forma bem-humorada: “Para quem gosta de fonética (sim, nós existimos)…”. O que vem depois não importa aqui. O que interessa, neste caso, é notar o despojamento com que ele escreve.

A Língua que Pisou na Lua – A Longa Viagem do Indo-europeu é mais um exemplar, no cânone, de um escritor cuja obra é marcada pela dessacralização do idioma, abordando-o como se deve: como algo vivo e social e historicamente construído.

Bagno transforma o estudo da língua em algo acessível. Ele consegue removê-lo da urna dourada da academia.

Neste novo livro, Bagno se propõe a “investigar a etimologia de quase duas mil palavras do português, retrocedendo à sua fonte mais imediata, visível e documentada”. São mais de 200 páginas só nesse processo de vasculhar de onde vem o que e de que forma falamos.

Seria, em tese, um livro para estudantes de humanidades ou, quando muito, para entusiastas de etimologias, mas, nas mãos de Bagno, o estudo da linguística parece até cool. O que não é pouco.