Os brasileiros estão num excelente momento de crise em sua relação com o idioma. "Excelente" porque eu gosto de ver o circo (ao menos esse) pegar fogo? Pode até ser.
Mas acima de tudo porque a tal da crise tem muito a ver com o abandono de certas imposições fáceis, falsas, forjadas sobre a língua portuguesa.
Decorre de uma aceitação maior da nossa real multiplicidade, nossa imensa complexidade. Decorre de um "à-vontade" mais marcado pelo que sempre foi especificamente nosso, profundamente nosso, e que em tantas situações fomos obrigados a esconder, levados a desconsiderar e desautorizar.
O momento em que Sérgio Rodrigues assumiu a posição de "cronista da língua brasileira" aqui neste jornal —ocupando justo o lugar de um gramático que vinha dessa forte e tradicional corrente prescritivista— é uma marca importante dessa longa caminhada ladeira acima, em que os brasileiros vão entendendo quais de fato são —e quais precisam vir a ser— as regras do jogo com a sua própria língua.
Sem ter um diploma em linguística, mas com formação sólida e sempre atualizada na área, o Sérgio soube ocupar esse lugar de maneira nova, mais moderna, mais real e mais interessante.







