Para o economista e Rodolpho Tobler, o quadro não sinaliza contração da economia, mas um ritmo mais moderado Queda do consumo de alimentos é sinal de que o orçamento das famílias está apertado, diz Tobler — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil A oscilação do desempenho dos vários setores do varejo, junto com resultados mais fracos que o esperado dos serviços – mostrados pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE – é um "retrato claro" da desaceleração do ritmo de atividade brasileira após o bom desempenho do primeiro trimestre. A avaliação é de Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). “O varejo estava em baixa no fim do ano passado, se fortaleceu nos primeiros meses de 2026 e voltou a cair a partir de abril. Não consegue manter o ritmo claro de melhora que foi observado nos últimos anos, até meados do ano passado", diz. "Mesmo entre setores, chama a atenção que os que registraram alta em maio apenas se recuperam de quedas passadas, e vice-versa. É o caso de combustível, que subiu em março no que pareceu ser uma antecipação de consumo por causa da guerra, caiu em abril e agora voltou a subir”. Tobler ressalta que o quadro não sinaliza contração da economia, mas um ritmo mais moderado. “O cenário macro é bastante desafiador. A queda do consumo de alimentos é sinal de que o orçamento das famílias está apertado, mesmo com mercado de trabalho aquecido e ganhos salariais, seja pelo endividamento alto, seja pela inflação ou pelas variações do combustíveis”. Olhando adiante, Tobler espera continuidade desse movimento, mas vê riscos para ambos os lados. Do lado altista, a chance de a inflação ceder mais que o esperado – como visto nos dados de junho, e permitir novos cortes de juros pelo Banco Central. Do lado baixista, o risco de recrudescimento do conflito sobre o Estreito de Ormuz, o que elevaria novamente o preço dos combustíveis.
Oscilações no varejo são ‘retrato claro’ de acomodação da atividade, diz FGV Ibre
Para o economista e Rodolpho Tobler, o quadro não sinaliza contração da economia, mas um ritmo mais moderado








