Economista da fundação, Anna Carolina Gouveia não descarta novos recuos no ICC, já que os fatores macroeconômicos que inibem o consumo devem permanecer até o fim do ano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Consumidor está cauteloso quanto à inflação, e alimentação é fator de atenção — Foto: Créditos: Banco de Imagens Envato O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 3,6 pontos em agosto, para 84,7 pontos, quarta queda consecutiva, informou, nesta terça-feira, (25), a Fundação Getulio Vargas (FGV). Além de levar o índice ao menor patamar desde novembro de 2022 (83,5 pontos), a queda foi a mais forte desde janeiro de 2025 (-4,4 pontos), disse Anna Carolina Gouveia, economista da fundação. A especialista não descartou novos recuos no ICC. Isso porque fatores macroeconômicos que inibem o consumo devem permanecer até o fim do ano, disse. A queda no ICC foi causada tanto por respostas relacionadas ao presente quanto ao futuro, pontuou ela. Em agosto, o Índice de Situação Atual (ISA), um dos dois componentes do ICC, caiu 0,6 ponto, para 83,8 pontos. O Índice de Expectativas (IE), por sua vez, recuou 5,4 pontos, para 86,1 pontos. “O que tivemos esse mês foi uma queda forte, uma queda relevante e espalhada por quase que todos os indicadores e faixas de renda”, resumiu Gouveia. Sobre faixas de renda, a técnica se refere à evolução do ICC por quatro categorias de ganhos mensais, também mapeadas pela fundação. Em agosto, entre consumidores com renda até R$ 2.100,00 mensais, o ICC caiu 1,4 ponto; nos com ganhos entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800,00, a queda foi de 4,2 pontos. Por sua vez, na faixa entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00, o recuo foi de 5,3 pontos e, nos com ganhos acima de R$ 9.600,01, a retração foi de 0,9 ponto. Uma série de fatores, no contexto macroeconômico, conduziu ao desempenho, reiterou ela. Dois deles são os elevados patamares de endividamento e de inadimplência das famílias. A técnica pontuou que esses indicadores continuam em patamares historicamente elevados e desafiam o orçamento familiar, especialmente ente faixas de renda mais baixas. Outro aspecto a ser considerado, disse a técnica, é o ritmo do emprego. Os mais recentes resultados do mercado de trabalho mostraram leve desaceleração, lembrou Gouveia, o que traz impacto ao humor do consumidor, disse. Inflação de alimentos e El Niño Além disso, o consumidor está cauteloso quanto à inflação. Isso se notou no tópico “expectativas de inflação dos consumidores para próximos 12 meses” que consta na Sondagem do Consumidor – pesquisa do qual o ICC é indicador-síntese. De julho a agosto, a expectativa subiu de 5,8% para 6,2%. “Não temos inflação ‘explodindo'. Mas temos, pontualmente, uma inflação, principalmente em alimentos", observou. "E tem previsão de piora [em inflação de alimentos] por conta, principalmente, do El Niño”, disse se referindo ao fenômeno climático que pode afetar a oferta de produtos agrícolas. Assim como a especialista não visualiza mudanças, em curto e médio prazos, nesses aspectos macroeconômicos, ela não descartou novos recuos no ICC. “O desenho que se tem feito até o momento [da trajetória do ICC] é de desaceleração”, reconheceu.