Pré-candidato ao governo paulista disse Estado de São Paulo deve ser “o mais prejudicado” com a decisão do governo americano de aplicar novas tarifas a produtos brasileiros Ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP), pré-candidato a governador de São Paulo — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo Ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo paulista, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (16) que o Estado de São Paulo deve ser “o mais prejudicado” com a decisão do governo americano de aplicar novas tarifas a produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Haddad cobrou uma postura crítica do governador do Estado e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em relação ao presidente dos EUA, Donald Trump, e defendeu que o Brasil reaja à “hostilidade”. O petista disse ainda que Tarcísio foi “ingênuo” ao apoiar o presidente dos Estados Unidos e buscou vincular o tarifaço ao pré-candidato à Presidência do PL, ao dizer que Flávio e Trump querem “privatizar o Pix”. Leia mais “Nós precisamos nos unir nessa hora. Aqueles que estavam apoiando o governo do Trump, os brasileiros que estavam apoiando o governo do Trump, precisam rever a sua posição. E o Brasil precisa estar unido para dar uma resposta a essa agressão completamente fortuita, gratuita ao nosso país, que tem um déficit do governo americano há 15 anos. São mais de 400 bilhões de dólares de déficit acumulado em 15 anos”, afirmou Haddad a jornalistas, ao ser questionado sobre o tarifaço, durante agenda de pré-campanha em Jales (SP). “Por que os Estados Unidos estão atacando o PIX e atacando a produção, sobretudo a produção de São Paulo? O Estado mais afetado pelo tarifaço do Trump é o Estado de São Paulo”, disse o petista. Ao falar sobre o tarifaço, Haddad citou o apoio de Tarcísio e de Flávio a Trump, e disse que o governador de São Paulo foi “ingênuo” ao apoiar o presidente americano. “Espero que Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos. Tem que reavaliar e fazer uma autocrítica, de ter sido ingênuo de imaginar que um outro país fosse defender os interesses do nosso país. Então foi uma ingenuidade muito grande”, afirmou. Quando Trump tomou posse, em janeiro de 2025, Tarcísio comemorou e publicou um vídeo nas redes sociais onde aparecia usando um boné com o slogan "Make America Great Again". Os elogios e acenos do governador ao presidente dos Estados Unidos geraram críticas da esquerda e até de apoiadores, e foram explorados politicamente no ano passado, quando Trump anunciou o primeiro tarifaço, com sobretaxa de 50% a produtos brasileiros. Na madrugada desta quinta-feira (16), o governo americano determinou o novo tarifaço. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, depois de uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pelo governo americano. A decisão, chancelada pelo presidente Donald Trump, entrará em vigor em 22 de julho. O governo americano alegou práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento no Brasil para justificar o novo tarifaço. “Nós não estamos em conflito com os Estados Unidos. É o governo do Trump que tem problemas conosco”, disse Haddad. Somos parceiros dos Estados Unidos há 200 anos e nunca tivemos problema em nenhum governo, seja democrata, seja republicana. É uma hostilidade que não se sustenta e nós temos que reagir a isso”, afirmou. Haddad criticou ainda o caráter “ideológico” da decisão de Trump, aliado da família Bolsonaro. “Nós temos que parar com essa ideologia. Não pode ter Fla-Flu no Brasil apoiando um governo hostil ao nosso país. Essas pessoas estão traindo os interesses nacionais, estão se portando da forma mais vil em relação aos interesses dos Estados Unidos aqui”, disse. “O que o Pix fere a soberania dos Estados Unidos? Nada. O Pix não faz mal nenhum para o governo americano. Por que atacar uma tecnologia gratuita? Por trás disso existe o desejo de que o Pix seja privatizado. O apoio a Bolsonaro é para privatizar o Pix”, afirmou o pré-candidato. Ao defender o Pix, o ex-ministro afirmou que essa tecnologia não pode ser a causa de desavença entre dois países. “Eles [americanos] têm o direito de privatizar lá o que eles quiserem, mas nós não vamos privatizar o Pix como o Flávio Bolsonaro e o Trump querem. Não faremos isso”, disse.