Aos 95 anos, a matemática, estatística e, principalmente, demógrafa brasileira Elza Salvatori Berquó se tornou a primeira mulher a receber da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) o título de doutora honoris causa.

"Meu tempo é curto, mas ele foi longo o suficiente para ver e ouvir vocês com todo esse carinho. Jovens, continuem a estudar e continuem a luta pela democracia", disse ela durante a cerimônia, em agosto de 2021.

Sua influência em diferentes campos de pesquisa tende a permanecer forte por muitos anos, mas o tempo de vida de Berquó chegou ao fim. Um dos nomes pioneiros no Brasil da demografia, a ciência que se vale da estatística para estudar as populações humanas, ela morreu nesta quinta-feira (16), aos cem anos.

Além de publicar pesquisas relevantes, especialmente sobre a vida das brasileiras, Berquó teve participação decisiva na abertura de instituições de estudo e pesquisa, como o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), em 1969, e o Nepo (Núcleo de Estudo de População), da Unicamp, em 1982.

Seu pai, um funcionário dos Correios, vivia mudando de cidade. Numa passagem da família por Guaxupé, no sul de Minas Gerais, ela nasceu em 17 de outubro de 1925. Quase duas décadas depois, quando os Berquó moravam em Campinas, a jovem resolveu estudar matemática na PUC (Pontifícia Universidade Católica).