Na noite de 15 de julho de 2016, um dia quente de verão chegava ao fim na Turquia. Muitas pessoas passavam aquela noite de sexta-feira com amigos ou familiares, ansiosas pelo fim de semana. Ninguém suspeitava que o país mudaria fundamentalmente em apenas algumas horas.
De repente, tanques estavam nas ruas. Caças sobrevoavam Ancara e Istambul. Soldados bloqueavam a Ponte do Bósforo —a ligação entre a Europa e a Ásia. O Parlamento na capital foi bombardeado. O presidente Recep Tayyip Erdogan se dirigiu à nação por videoconferência na televisão, incitando a população a ir às ruas e impedir o golpe.
Milhares atenderam ao chamado. A tentativa de golpe, levada adiante por setores das Forças Armadas, fracassou naquela mesma noite, neutralizada por militares leais, policiais e cidadãos. Mas suas repercussões políticas continuam a moldar o país até hoje.
O governo turco culpa o movimento Gülen pela tentativa de golpe. Vários oficiais militares de alta patente com ligações ao grupo foram presos. Seu fundador, o pregador islâmico Fethullah Gülen, na época havia anos vivia exilado nos Estados Unidos, onde morreu em 2024.
Ele já foi considerado um aliado próximo de Erdogan. Juntos, desempenharam um papel fundamental na contenção da influência política dos militares turcos e na expansão do poder de Erdogan, numa aliança que posteriormente se desfez.











