O comércio é uma das atividades mais antigas da civilização humana. Antes das moedas, antes dos impérios, antes dos estados modernos, já havia o comerciante, aquele que conecta quem produz a quem precisa, que lê o mercado com os olhos e o bolso, que assume o risco de abrir as portas todos os dias sem a garantia de que terá clientes suficientes para cobrir as contas. Há milênios, ele é o agente invisível que mantém a economia funcionando.

E, no entanto, é exatamente esse profissional que o poder público insiste em tratar como um eterno pagador de contas, nunca como um parceiro de desenvolvimento. O Dia do Comerciante, celebrado em 16 de julho, não deve ser apenas uma data simbólica de parabéns e campanhas. Ele precisa ser um momento de cobrança, de reflexão e, sobretudo, de reconhecimento real.

Os dados são contundentes. Segundo o IBGE, o comércio varejista fechou 2025 com alta de 1,6% no volume de vendas, nono ano consecutivo de crescimento, mesmo diante de juros elevados e condições de crédito restritivas. Em 2025, o Comércio gerou um saldo positivo de 247 mil novos postos formais de trabalho, crescimento de 2,3% no setor, segundo o Novo Caged/MTE. O estoque total de vínculos celetistas no país atingiu 48,47 milhões, e o desemprego caiu para 5,1%, menor nível da série histórica iniciada em 2012. Só o estado de São Paulo criou 311 mil postos formais no ano, em todos os setores.