Ao longo de séculos, as centenas de sociedades indígenas da amazônia acumularam um vasto conhecimento sobre as milhares de espécies de plantas da floresta tropical e como utilizá-las.
Mas essa biblioteca botânica está sob crescente ameaça da mudança climática, de acordo com um estudo publicado no último dia 8 na revista Nature.
Nas próximas décadas, o aquecimento global pode extinguir cerca de 30% das espécies de plantas utilizadas por comunidades amazônicas, constatou o estudo. Isso pode acontecer mesmo que as nações consigam conter o aquecimento global a níveis moderados, evidenciando o quão vulnerável a flora da região é a temperaturas mais altas e oscilações mais bruscas entre cheias e secas.
Entre as espécies em risco está o yoco, um cipó lenhoso que o povo Secoya, do noroeste amazônico, transforma em uma bebida matinal forte e que faz os dedos formigarem. A ibapichuna, uma fruta de tom violeta intenso que é cozida pelo povo Cubeo, da Colômbia, para preparar uma bebida consumida após o jantar. E a ucuubarana, uma árvore cuja casca é processada pelo povo Waorani, do Equador, para tratar feridas infectadas.
"Esse conjunto de espécies e riqueza cultural faz parte de quem somos como humanidade", diz Jordi Bascompte, professor de ecologia da Universidade de Zurique que participou do estudo. É também um profundo reservatório de possibilidades científicas que mal foi explorado, acrescentou.







