Casa comandada pela jovem chef Yuuka Shomen traz o conhecimento de uma família de imigrantes que aportou no Brasil em 1958; três garfinhos (bom) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Oriental Muto traz sabedoria de família pra mesa — Foto: Reprodução/Redes sociais RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 18:46 Chef Jovem Revive Tradição Japonesa no Restaurante Muto em Copacabana O restaurante Muto, em Copacabana, liderado pela jovem chef Yuuka Shomen, traz a tradição culinária de uma família de imigrantes japoneses no Brasil desde 1958. A casa é modesta, mas charmosa, e oferece pratos como usuzukuri de vieiras e ramen caseiro, destacando-se pela autenticidade e técnica apurada. Yuuka, de 20 anos, já trabalhou no renomado San do Leblon, e agora apresenta suas criações em um ambiente acolhedor. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Conheci Tóquio (sonho meu, sonho meu). Apesar da constelação de estrelas que a capital japonesa acumula (160 restaurantes, 200 estrelas no total), não pisei em um estrelado sequer. Fui nas portinhas de ruelas e becos, espaços sem espaço, mas onde os locais se encontram. Um deles tem 170 anos e é o único no país com permissão para servir enguia crua. Num outro, tivemos que bater em uma portinha, passar por baixo de uma cortina e descer três degraus para chegar ao salão no subsolo para 30 pessoas. Nos sentamos em banquetas de engradados de saquê com almofada e tivemos momentos únicos. Esse prólogo é para dizer que hoje procuro os japas mais simples, pratos clássicos com técnica e conhecimento de causa e efeito. O Muto, em Copacabana, que me foi “soprado” por uma legião de amigos, chega perto do perfil “made in Japan”. Modesto, mas bonitinho, com cerejeira na entrada e painéis pintados típicos (que trouxe na mala). Muto é o sobrenome de uma família de imigrantes que aportou no Brasil em 1958 e foi para Friburgo. Começa com Tomatsu Muto, mas hoje já na terceira geração, onde entra a jovem Yuuka, de 20 anos, que exibe seus diplomas pelas paredes do pequeno restaurante, com poucas mesas e um balcão simpático com lanterninha pendendo. A mãe, Nobuko, cuida dos pratos quentes. Yuuka fica com os frios. Assina sushis, sashmis, usuzukuris e que tais. Mãos quentinhas? Balela, folclore (machismo). Yuuka já andou pelo San do Leblon antes de abrir o Muto. Dela, provamos o usuzukuri de vieiras salpicadas com ovas variadas (R$ 80). Oriental Muto: cozinha quente e omakase em pequeno restaurante familiar em Copacabana — Foto: divulgação O friozinho nos levou para os quentes: takoyaki (bolinho de polvo, R$ 50, oito unidades), que não foi o melhor da rodada, mas valeu; fatias de berinjela no missô quase carameladas (R$ 42) e tempurá de legumes escultural, sequinho, crocante, dourado, com molho claro saboroso, algo cítrico, para molhar (R$ 60). E guioza de porco (R$ 42), porção generosa e gostosa. Harajuku faz um dos guiozas mais concorridos de Tóquio, que o Rafa Costa e Silva, meu companheiro de viagem, aprovou. O do Muto chegou perto, ligeiramente selado no forno. Veio na cestinha de bambu, quentinho. E mergulhamos nos bowls: fios de rámens caseiros combinados com vegetais, carne bovina, camarões empanados e ovos (R$ 65), tudo imerso num caldo perfeito, para fazer barulho e encarar um suadouro depois. E muito saquê (R$ 70 a garrafa do nacional; e R$ 40 a dose). Para fechar, o único doce que vi de fato os japoneses comerem (devoram sorvete): mochi, as bolinhas de arroz pastosas que estão longe de ser uma unanimidade, mas que como com enorme prazer. O dali é caseiro, recheado de matchá e morango, servido aberto, geladinho (R$ 15 ). Luxo é o que está no prato, o que é feito na casa e nos é oferecido. É isso, pura sabedoria japa. Oriental Muto: três garfinhos (bom) Rua Barata Ribeiro 271, Copacabana (99563-1987). Ter a sex, das 19h às 23h. Sáb e dom, das 12h às 17h e das 19h às 23h.