A aprovação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para afrouxar regras de aposentadoria para agentes de saúde expôs a contradição de membros do Congresso Nacional e o descontrole do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre sua própria base de apoio à medida que a eleição se aproxima.

A proposta teve o apoio de 446 deputados no primeiro turno de votação na Câmara (426 no segundo) em 2025. Nesta terça-feira (15), foi aprovada no Senado por 73 parlamentares em dois turnos. Em ambos os casos, quase ninguém ousou votar contra. Agora, o texto vai à promulgação, sem qualquer chance de veto pelo presidente da República.

Entre os que apoiaram o texto estão 66 deputados do PT, incluindo o então deputado José Guimarães (PT-CE), hoje ministro responsável pela articulação política do governo, e oito senadores da sigla, entre eles o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). É quase a totalidade da bancada do partido nas duas casas.

O desfecho mostra que, quando há uma eleição na reta, ficam em segundo plano os apelos do governo e os alertas sobre o custo (R$ 30 bilhões em uma década).

No caso da PEC dos agentes, foi a própria base governista que cobrou a votação, de olho nos dividendos eleitorais a serem colhidos após a aprovação. Afinal, são 370 mil trabalhadores e potenciais eleitores beneficiados pelas mudanças.